domingo, 13 de janeiro de 2008

Método de criação CA

Alojamento

O local usado na criação é uma marquise de um apartamento. Tem muita luz e é quente no Verão.

Gaiolas em caixa de madeira com grades na parte da frente e uma divisória amovível a meio.

Medidas (comprimento x largura x altura) = (125 x 50 x 75 cm). No fundo tem duas gavetas e por cima uma grade tem as funções de estrado e serve para as aves não poderem comer os alimentos despreciados. Os bebedouros são tipo sifão de gota.


Alimentação

Comedouro com milho japonês, papa de insectívora “ Quiko Fauna” c/ 17,5 % de proteína, e outros com papa de ovo grossa.

É fornecido também fruta e verdura (maçã, couve galega e dente-de-leão).

Também é dado sementes verdes provenientes de uma erva da famílias das gramíneas. A colheita é feita em Setembro. Fornecer espigas de milho paínço.

Misturas de sementes usadas:

Mistura Base

de C.A.

Sementes

%

g

Alpista

80%

5000

Níger

5%

300

Aveia

13%

800

Linhaça

2%

150




Total

100%

6250


Mistura Forte

de C. A.

Sementes

%

g

Níger

47%

500

Linhaça

7%

75

Milho Paínço

37%

400

Milho Alvo

9%

100

Total

100%

1075

Os comedouros terão sempre a mistura base, onde as aves comem primeiro as sementes escuras por sem mais apetitosas e terem mais gorduras. Ficando a mistura mais clara devemos acrescentar por cima um pouco da mistura forte que é constituída por sementes oleaginosas ricas em gorduras.

Criação

Os ninhos usados são em plástico, os mesmos usados na criação de canários. Estão colocados e devidamente camuflados por plantas de plástico imitando bambu ou canas da índia anãs. Podem se adquiridas em lojas chinesas.

Antes da eclosão dos ovos ( 1 ou 2 dias) é misturado na água de beber um anti-stress dos laboratórios ATRAL de nome “Finistress Vet” com preventivo da morte dos recém nascidos.

Dar bicho da farinha morto num pequeno pires.

Semente germinada, misturar na papa de ovo fina + papa de ovo grossa. A semente é demolhada durante 6-7 horas no máximo, deixar secar e fornecer simples e seca.



O meu comentário: O local era muito sossegado e com muita luz natural. As gaiolas muito espaçosas. A alimentação rica em sementes oleosas e proteínas animal. Se as aves forem saudáveis e adaptadas ao local com higiene, tem muitas probabilidades de procriarem. Na minha opinião são os factores mais importantes e que se repetem em outros métodos também com o mesmo sucesso.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

A Criação de Carduelis carduelis em Portugal

Em Portugal actualmente 2008 a captura de aves selvagens continua. O site do SEPNA periodicamente relata casos de denuncias e sobre a actuação desta policia nesta área das aves da fauna europeia.

Por isso tentar criar aves de fauna europeia é um acto de loucura, por muito boas intenções que se tenha. A legislação não permite ponto final, mesmo que tenham sido importadas e de origem domestica, com anilha fechada e factura. Todos sabemos que as mutações não abundam na Natureza. Sim mesmo as mutações são proibidas de ter em ambiente domestico.

Exibir publicamente aves de fauna europeia criadas em cativeiro pode trazer problemas com as autoridades. Criar estas espécies em ambiente domestico é um tema tabu, embora se fale a boca pequena e já muitas pessoas tenham tentado e algumas conseguido.

O primeiro relato escrito de sucesso na criação de pintassilgos em cativeiro que encontrei foi na pagina 7 da revista “luso Zoo Magazine” de 27 de Novembro a 1 de Dezembro de 1998. Ao ler o artigo “Sobre criação de Exóticos – Pintassilgo em Cativeiro” fiquei maravilhado. Era possível a criação de pintassilgos capturados em cativeiro, desde essa altura procurei o máximo de informação sobre o assunto. Passados uns tempos, tornei-me sócio da AAP, pois na altura publicava a única revista periódica sobre aves canoras e ornamentais. No ano de 2000 apareceram uns artigos sobre aves de fauna europeia na revista Ornitofilia. Escrevi uma carta a AAP perguntando se havia algum sócio criador de pintassilgos. Responderam e deram-me um contacto, mais tarde desloquei-me propositadamente a AVISAN para conhecer e falar pessoalmente com este criador. Fiquei a saber que criava os pintassilgos capturados num grande viveiro ao ar livre onde no seu interior os pintassilgos faziam o ninho numa pequena laranjeira. Como alimento na altura da criação fornecia bicho trela ou bicho da farinha (Tenebrio molitor). Todas estas aves criadas por estas pessoas eram o símbolo da esperança que era possível obter aves da fauna europeia sem necessidade de andar sempre a capturar aves selvagens.

A Internet veio alargar os meus horizontes, a compra de alguns livros estrangeiros também. Infelizmente a aquisição de aves de fauna europeia de origem domestica não estava ao meu alcance. Em 2005 resolvi colocar em pratica toda a teoria que tinha na altura. Aproveitei e remodelei o espaço de um velho galinheiro e mandei fazer 3 viveiros cada um com (2 x 2 x 1 m) de altura x comprimento x largura. O telhado em chapas onduladas opacas. Em cada um meti um casal de pintassilgos (Carduelis carduelis) e num só um casal de verdilhões (Carduelis chloris) colocados em Fevereiro. Nesse ano o casal de verdilhões no inicio de Agosto faz uma postura de 4 ovos., mas não obtenho sucesso pois mesmo colocando o único pinto nascido de baixo de canárias o passarinho não sobrevive. Em 2006 no mes de Abril ao fundo do viveiro num ninho camuflado os verdilhões andam agitados com palha no bico. Em 31 de Maio de 2006 anilho os primeiros 4 verdilhões nascidos em ambiente domestico. Neste ano de 2006 os meus pintassilgos pouco cantavam e as fêmeas nem um ovo.

A aventura de criar o género Carduelis tinha começado embora ainda não tivesse conseguido chegar a espécie carduelis. Ser sócio de um clube de ornitofilia tem as suas vantagens, permite conhecer outros criadores. Nesse ano de 2006 conheci mais um criador de Carduelis carduelis. Fiquei a saber que ele criava pintassilgos em gaiolas de (1,00 x 0,75 x 50 m) comprimento x altura x profundidade. Mais uma vez fiquei surpreendido, criar em gaiolas? Pintassilgos? Pois é as fêmeas eram seleccionadas pelo seu fenotipo a sua alimentação cuidada, os ninhos cuidadosamente camuflados e os pintassilgos quando nasciam dois dias antes era misturado na agua um produto infalível que evitava a sua morte após o nascimento. Escusado sera dizer que eu tive que visitar as instalações e não descansei enquanto não apontei por escrito todos os truques deste processo infalível de criação.

Num próximo artigo irei transcrever o processo usado por este criador transmontano Português anónimo amante de pintassilgos de a longos anos.