segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Estratégias em caso de doença.



Na passada terça-feira, observei que uma das fêmeas reprodutoras estava ligeiramente embolada e os seus dois juvenis da primeira ninhada também. Observei um por um, todos tinham o ventre de aparência normal, não avermelhado, nenhuma mancha preta. As fezes eram consistentes tipo mousse, com uma parte escura e outra parte branca correspondente a urina. Coincidência ou não na semana anterior tinha-os mudado para outras gaiola. Depois de terminarem a muda, também alterei o tipo de alimentação, reduzi as sementes oleaginosas (nabo, niger, canhamo, linhaça) aumentei a alpista e mantive a perilla. Para compensar esta alteração durante uma semana misturei na agua de bebida um complexo vitamina B. A temperatura de Outono tinha baixado e houve queda de chuva.

Confesso que tenho alguma dificuldade em acertar no diagnostico de algumas doenças das aves. Os sintomas iguais, penas arrepiadas, perda de peso, falta de apetite, cabeça escondida debaixo da asa, podem ter origens em doenças diferentes. Acertar com o medicamento para combater agentes diferentes que provocam os sintomas semelhantes é sorte. Nestes casos resolvo sempre tentar fazer qualquer coisa, pois também aprendo com os meus erros. Na loja de animais de estimação onde me abasteço, costumo trocar impressões com o dono sobre novos produtos de ornitologia que aparecem nas prateleiras. Na ultima visita falamos sobre o Seridone, segundo parece muito procurado por quem tem pintassilgos. Segundo me confidenciou, até levam a embalagem maior, pois fazem curas preventivas, para evitar o pior. Seridone é o nome comercial, como por vezes, o mesmo produto químico tem nomes comerciais diferentes, eu peço para ver a composição do principio activo e que doenças combate.



Um ou dois dias passaram e o estado de saúde da fêmea degrada-se, prostrada no poleiro com as penas muito arrepiadas. Os dois juvenis continuavam morrinhentos. Fui comprar o Seridone e comecei a dar a dose recomendada na bebida. Passados 2 dias os juvenis estão mais activos e vou seguir o tratamento durante 8 dias conforme recomendado. A fêmea reprodutora não responde a este tratamento, quase não se alimenta com as sementes cozidas misturadas com pão ralado e já esconde a cabeça de baixo da asa. Tenho de tomar outras medidas urgentes e mudar o tratamento aplicado a esta fêmea. Resolvi fazer uma câmara aquecida, que basicamente é uma caixa em madeira com a frente em vidro e em que a fonte de aquecimento, são duas lampadas incandescentes de 40 watt colocadas dentro. Para medir a temperatura no interior usei um termómetro que indica 22 ºC. Na câmara aquecida, alojei a fêmea numa gaiola pequena, um comedouro só com alpista, outro pequeno com mistura de pintassilgos, e um comedouro de lingueta com sementes cozidas e pão ralado. No bebedouro uma solução de 2g de ESB3 em 1 litro de agua, que vou renovar todos os dias durante 5 dias. Se notar melhoras reduzo para 1 grama de Esb 3.



Passadas 24 horas noto que esta mais activa e já não esconde a cabeça debaixo da asa. No chão vejo algumas cascas de sementes e pão ralado. Os primeiros sinais são de recuperação... A cura vai demorar e mais tarde, lentamente terei de baixar a temperatura até retirar o aquecimento, avaliando o comportamento da fêmea. Depois dos tratamentos acabarem com sucesso, forneço vitaminas do Complexo B com vitamina K durante uma semana. Após esta cura de vitaminas na semana seguinte dou agua simples. Se passado este periodo noto que a ave ainda esta debilitada, volto a dar mais uma semana de Complexo B. Este ciclo pode-se repetir até a ave estar totalmente recuperada, não existe o perigo de sobre dosagem de vitaminas do complexo B pois o excesso é eliminado pelo organismo da ave.

Conclusão:
O pintassilgo é uma ave muito frágil devido ao seu pequeno tamanho corporal. O seu organismo não resiste muito tempo sem agua nem comida. Para manter a temperatura corporal tem de ir buscar energia aos alimentos. Geralmente uma ave doente tem pouco apetite, para regular a temperatura corporal embola as penas, o peito fica afiado devido a perda de peso.
Em caso de suspeita de doença, temos de actuar rapidamente. Conseguir que a ave doente se alimente e não tenha de despender energia corporal para se aquecer são as primeiras medidas a serem tomadas.
Alimento – sementes cozidas. Misturo em partes iguais sementes de cânhamo, perilla e níger. Coloco um recipiente com agua ao lume, quando começa a levantar fervura deito as sementes a cozer durante 5 minutos. Apago o lume e deixo 30 minutos as sementes de molho para absorver agua e calor. Depois escorro-as num passador e retiro de agua para as secar misturo pão ralado em pequena quantidade. As sementes cozidas que sobram guardo no frigorífico no máximo até 3 dias, por isso não preparar grandes quantidades de cada vez. A fervura amolece as sementes e esteriliza-as, sendo a sua digestão mais fácil dos hidratos de carbono e dos lípidos.
Calor – ajudar a ave a manter a temperatura corporal sem despender energia. Por isso meter a ave num ambiente aquecido com temperaturas entre os 25 – 30 ºC. Usar uma gaiola enfermaria, uma câmara aquecida ou estufa.
Vitaminas Complexo B – é constituido por um conjunto de diferentes vitaminas B1, B2, B3, B6, B12, B15, converte os alimentos em fontes de energia, contribui para a formação de anti-corpos e hormonas. Como as Vitaminas do grupo B são hidro-solúveis quando absorvidas em excesso são
expelidas pela urina, não se acumulam no organismo.
As estratégias apresentadas nem sempre resultam com todas as aves, mas podem ajudar a salvar algumas. Afinal o papel de um criador de aves é cuidar do seu plantel, ter prazer em ver as suas aves sadias, alegres e com muita vivacidade. Toda a dedicação que lhes possamos dispensar elas retribuirão dando-nos muitas alegrias...

PS: Em conversa com um colega que tinha acabado de conhecer, falamos sobre a alimentação de pintassilgos com granulado. Confesso que sempre tive algumas reservas em deixar de fornecer sementes. A dificuldade é fazer a transição entre os dois tipos de alimento. As vantagens do granulado são evidentes, não temos cascas, a composição de elementos nutritivos é constante (controlo de fabrica), menos probabilidade de contaminação da comida (embalagens fechadas na fabrica), mais fácil digestão pois o granulado é processado industrialmente, se as fêmeas aceitarem bem até não é necessário dar papa, não existe a possibilidade da ave escolher só um tipo de semente. O preço é mais caro, mas as sementes também já foram mais baratas, a vantagem é que proporcionalmente comem menos porque o granulado sacia. Já comprei granulado e resolvi misturar um pouco com as sementes e quando me aperceber que ele diminui nos comedouros é sinal que as aves já o comem. Pelo menos foi o que se passou com os pintassilgos do meu interlocutor. O período de repouso é o mais favorável para proceder a alterações no regime alimentar é o que vou fazer...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Plantel para o ano 2010 e outros comentários





Recentemente adquiri a um amigo um casal de Pintassilgos da Sibéria na cor ancestral ou fenotipo selvagem. Fenotipo quer dizer aspecto visual, pois são aves criadas em ambiente domestico, muito mansas de tamanho muito maior que a subespécie parva.



Entretanto vou continuar com os casais de Carduelis parva de 2009 e fazer mais 2 casais novos com aves que fiquei da criação deste ano.















Um dos meus objectivos para 2010 é ter disponíveis algumas aves para ceder ou trocar com outros criadores. Tenho conhecimento que em Portugal já existem alguns criadores de Carduelis parva, só que produzem poucos exemplares por época. Também sei por relatos que me chegam que cada vez são mais os Portugueses que se deslocam as feiras de pássaros na Bélgica e que compram mutações de pintassilgo major. Todos estamos clandestinos face as leis actuais, coremos sérios riscos pois estamos equiparados aos traficantes de aves silvestres. É injusto pois as nossas aves nascem em ambiente domestico, são tratadas com toda a tenção e cuidados, pois queremos que elas se reproduzam e sejam felizes sem preocupações de fugir dos predadores ou encontrar locais com comida. Os meus pintassilgos estão habituados a viver em gaiolas se eu lhes abrir a porta eles mantém-se confinados ao espaço que estão habituados.
Contaram-me uma história de como andam a expor aves de mutações de fauna europeia e depois de avaliadas e pontuadas, são escondidas do publico. A situação é caricata e não sei como é que vão resolver a situação da entrada de aves da fauna europeia no Mundial de Matosinhos em 2010. Ouvi algumas vozes descontentes a dizer que se não houver legalização para os criadores Portugueses os estrangeiros que vierem cá expor aves no Mundial de 2010 podem ser vitimas de denuncia ao SEPNA. Isto tudo que eu relato é futurologia o mais certo é que não aconteça nada, espero eu..., para bem de todos e que não estraguem os esforços desenvolvidos até agora pela FONP, junto das autoridades do estado Português.
Faço votos que tudo se resolva a bem e sem ir contra ninguém a bem de todos incluindo os criadores de aves.