Mascara vermelha, bico comprido, carapuça preta e espelho amarelo nas asas, cogumelo branco no peito e manto castanho o pintassilgo (Carduelis carduelis) é uma ave maravilhosa. O objectivo deste blog é partilhar e trocar ideias, experiências no manejo de pássaros do género Carduelis.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Dois caminhos só uma opção...
Esclareço que um particular para possuir 1 único exemplar de pintassilgo legal numa gaiola tem de estar registado no ICNB. O valor do registo em 2010 é de 125 euros. Reforço a ideia do registo pois é obrigatório quer para criadores quer para particulares que tenham uma única ave de fauna europeia., mesmo que não participem em exposições nem façam reprodução da espécie em causa.
Devido a falta de capacidade de resposta dos pedidos de registo que entretanto chegaram ao ICNB, o prazo de legalização dos exemplares de aves de fauna europeia legalmente adquiridos, termina no final do mês de Setembro de 2010.
É importante que todos os possuidores clandestinos de espécies de aves da fauna europeia, pensem nas consequências da não legalização da sua situação junto do ICNB. No futuro não poderão transaccionar ou transportar ou deter as suas aves, pois o risco é de 20 mil euros de multa no mínimo. Acreditem que o SEPNA actua se forem denunciados por vizinhos ou se passarem agentes da autoridade e ouvirem o canto de algum macho clandestino. Mesmo os possuidores de travessos ou hibridos estão sujeitos a mesma coima.
Um criador de fauna europeia clandestino, pode ser comparado a um indivíduo que emite e passa notas falsas. Este indivíduo além de correr um grande risco o que produz não tem valor. Não tenham ilusões mesmo que sejam pertencente ou não a um clube ornitológico possuidores de mutações de aves da fauna europeia adquiridas a criadores ou comerciantes estrangeiros, não estando Registados ficarão de fora do sistema legal com as devidas consequências.
Não vou tecer considerações sobre a lei, apenas quero alertar que o facto de haver uma lei que permite a posse legal de aves da fauna europeia, antigamente conhecida por aves indígenas foi um grande avanço relativamente a haver uma proibição total.
Hoje, 25 de Julho de 2010 a situação e os procedimentos para pedir o Registo ao ICNB é do conhecimento de todos os dirigentes dos clubes ornitológicos desportivos. Quem estiver filiado e federado e tiver aves CITES ou aves indígenas ou de fauna europeia, pode tratar dos documentos necessários e preencher os impressos e pagar 125 euros para o ICNB. Todos os processos recolhidos nos clubes serão posteriormente enviados para a FONP, para que o ICNB dê uma resposta em tempo útil, para que este ano seja possível expor este tipo de aves em 2010.
O caminho vai ser longo para os pioneiros que façam o seu Registo, pois ainda falta definir como será o modelo do Livro de Registo (obrigatório só para criadores legalizados) onde estão inventariadas todas as aves. Em 2010 será o primeiro ano em que será possível haver nas exposições aves sujeitas a todas estas formalidades. Qual será a reacção do SEPNA?
Quem aderir ao Registo no ICNB escolhe um caminho peregrino. Ficar de fora do sistema pode custar no mínimo 20 mil euros. Os criadores amadores de fauna europeia tem os dias contados.
A lei portuguesa obriga-nos a escolher um único caminho eu já fiz a minha opção. Despeço-me de todos os leitores e seguidores deste blog, agradeço a todos aqueles que me acompanharam ao longo desta aventura. Prosseguir com os artigos sobre Carduelis pode ser interpretado como incentivo a uma pratica ilegal de reprodução em cativeiro de aves sujeitas a condições especiais de posse e detenção. Apenas foi o meu objectivo demonstrar de forma ingénua que não é necessário capturar e é possível criar em ambiente domestico aves da fauna europeia.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Desparazitação, palitada sim ou não? - A emancipação dos filhotes
A minha expectativa no inicio da época 2010 era saber como se comportaria o casal de Major. No balanço final da primeira postura foi de de 5 ovos, na postura de 3º ovo este apareceu picado, separei o macho com divisória em rede e não houve mais novidade completada a postura. A incubação decorreu sem problemas e nasceu uma cria os restantes ovos estavam chocos. O facto dos embriões não se terem desenvolvido, leva-me a suspeitar que os progenitores podem ser portadores de algum micróbio. Já la vão alguns anos, lembro-me que um casal de verdilhões, no final da incubação de 5 ovos todos os embriões estavam mortos dentro do ovo. Não estive com meias medidas e fiz um tratamento com FP 20/20, na 2º postura 4 ovos claros, mas na 3ª postura 4 crias saudáveis. Muito se tem discutido sobre a eficácia dos tratamentos preventivos ou desparasitações antes das criações. Pessoalmente tinha umas certas reservas, hoje já me interrogo se quem faz as curas antes da época de criações é que não tem a razão.
Voltando a minha história. Nos primeiros 2 dias a mãe Major pouco alimentava a cria pois quando eu fazia o controlo o papo estava vazio. Passados 4 dias a meio da manhã a fêmea estava fora do ninho com a cabeça molhada e o macho com muito cio. Fui ver o ninho e encontrei a cria fria, aqueci-a na palma da mão e resolvi coloca-la de baixo de uma canária que chocava os seus ovos. Confesso que não tenho experiência nem dou palitada e por precipitação perdi a cria com 4 dias. Analisando melhor a situação deveria ter esperado que a canária tivesse embicado a cria de pintassilgo e ter praticado a palitada com as crias dos canários. Assim estaria mais preparado para esta situação. Agora entendo porque é que alguns criadores de sucesso dão palitada e usam madrastas.
Actualmente (Junho de 2010) tenho uma fêmea pintassilgo Parva no choco com 5 ovos. No ano passado 2009 esta pôs 4 ovos tirou 2 pintassilgos machos sem truques. Nada de tratamentos, nada de palitada. Na segunda postura 4 ovos 2 embriões mortos na casca. Na altura comentei com um especialista da nossa praça e ele levou o caso para a falta de humidade no período de choco. Eu fui na conversa pois o local é quente, o que hoje penso é o seguinte. A medida que se prolonga no tempo a criação de pássaros no mesmo local, a carga de micro-organismos patológicos vai aumentando. Não é por acaso que nas criações intensivas de galinhas quando chega ao fim o ciclo de produção os aviários são lavados e desinfectados e ficam inactivos durante um certo tempo. Só depois é que recomeça o ciclo com a chegada de novos frangos a um local pouco contaminado. Devido a esta circunstancia e não havendo um período de inactividade do local de criação é inevitável recorrer periodicamente aos chamados tratamentos de desparazitação para controlar os níveis de contaminação do organismo da ave.
A época de criação ainda não terminou, até Agosto ainda tenho algum caminho a percorrer, espero no final ter um balanço menos negativo...
Já passaram 4 anos desde que iniciei a criação de verdilhões ancestrais e pintassilgos parva no meu aviário, sem truques. Olhando a minha volta e conhecendo eu quase todas as técnicas e truques, porque é que não as aplico? Talvez por um certo romantismo e puro amadorismo da minha parte ou será que não valeria a pena ter mais trabalho (palitada) mais despesa (sustentar madrastas). Se calhar no fim das criações teria outro balanço a apresentar, ou talvez não!...
Para crescer não devemos ter medo de errar, pois as quedas são uma etapa para se aprender a andar.
Algumas semanas já passaram desde que iniciei a escrita desta prosa. Os 5 ovos de pintassilgo deram origem a 5 crias, hoje já estão separadas dos progenitores e aparentemente saudáveis. A ultima cria desta ninhada nasceu mais fraca e durante 2 dias coloquei-a de baixo da fêmea de major, mas constatei que ela não a alimentava convenientemente e tive de recorrer a palitada. Dei cerca de 4 palitadas diárias durante 3 dias e depois juntei-a de novo aos irmãos. Entretanto e antes de decorridos 30 dias a mãe começou uma nova postura e os filhotes ainda não comiam sozinhos, pois piavam muito com fome. O pai pintassilgo só depois de as crias reclamarem é que la se resolvia dar alguma comida. Tive de separar os filhotes da mãe pois como a gaiola era pequena eles tinham por habito estarem empoleirados na borda do ninho e com a postura a decorrer eu não queria perder os ovos. Coloquei um separador em rede pois a gaiola é dupla de um lado a pintassilga a chocar e do outro o macho com os 5 filhotes. Neste período crítico de emancipação e independência alimentar as crias perdem peso a olhos vistos, o osso do esterno começava a ficar muito afiado. Comecei a ficar preocupado pois não havia meios de ver as cria a comer sozinhas antes dos 30 dias de idade. Bom resolvi intervir mais uma vez e retomei a palitada 3 vezes ao dia. Lentamente observei que começavam a debicar a papa e a descascar o germinado. Por volta dos 40 dias separei-os e alojei-os numa gaiola maior depois de ver que todos se alimentavam sozinhos e que deixei de ouvir o seu piar de mendigar comida.
A fêmea pintassilga voltou ao choco na segunda postura de 5 ovos e hoje 14 de Julho de 2010 nasceram já mais 2 crias faltam eclodir 3 ovos, mas os 14 dias só se completam amanhã. Criar pintassilgos Parva é uma aventura e um desafio aliciante na pratica da reprodução de pássaros em ambiente domestico.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Raças de Pintassilgos vs mistura de subespécies
A conservação das espécies nem sempre é entendida por quem procura obter novas raças. Quando o Homem domestica uma determinada espécie, procura introduzir novas características diferentes da sua forma selvagem. Ao seguir este caminho a espécie em questão perde ou adquire por exemplo novas cores, outro tamanho e até pode mudar de forma. O que para uns é uma melhoria civilizacional da espécie, para outros é uma desvirtuação da sua forma selvagem.
O trabalho de selecção realizado pelos criadores de canários é um exemplo da quantidades de raças de canários que existem actualmente todas derivadas do canário verde selvagem. Na Europa o pintassilgo criado em ambiente domestico, também começa a dar origem a novas raças de cores diferentes da selvagem. Os sujeitos obtidos são de tamanho variado pois não se tem respeitado o tamanho característico das diferentes subespécies. Quando cruzamos um indivíduo grande com um pequeno qual o tamanho das crias que vamos obter? Não é por acaso que a C.O.M Confederação Ornitológica Mundial vai publicar um estalão ou standard diferente para cada subespécie de pintassilgo. Para os mais atentos a cor e o tamanho dos pintassilgos variam conforme nos deslocarmos geograficamente de Norte para Sul. Os pintassilgos do Norte são mais corpulentos e as cores mais claras o castanho não é tão escuro e o branco é mais puro. A medida que nos deslocamos para Sul o tamanho das diferentes subespécies diminui e o branco fica mais contaminado ou sujo, o castanho tende a ficar cor de chocolate.
Os Italianos e os Espanhóis, já se aperceberam destas diferenças entre subespécies de pintassilgo. Em Itália distinguem duas subespécies, os pintassilgos pequenos ou Tsuchi e os pintassilgos Major que são maiores
Na França, Bélgica, Holanda penso que os criadores desportivos ainda não fazem estas distinções pois o pintassilgo apresentado nas exposições ornitológicas tem um tamanho intermédio é maior que o Parva e o Tsuchi, mas mais pequeno que o Major. Talvez o tamanho intermédio obtido se aproxime da espécie da Europa Central Carduelis carduelis carduelis que é mais pequena que o Major mas maior que o Parva e Tsuchi.
Actualmente em Portugal, pelo que eu conheço, alguns criadores importaram mutações de pintassilgo major e estão a cruzar com pintassilgos Parva para obter novas cores e diversificar o património genético dos Major e introduzir novas cores nos Parva. A médio prazo dentro de talvez 5 anos começarão a surgir Parvas portugueses mutados. O trabalho destes criadores de pintassilgo de novas cores, vai no futuro criar novas raças domesticas de pintassilgo. Aves mais mansas e com aptidão para criar em espaços reduzidos. Como nos canários de cor os critérios de selecção variam conforme o país, não é por acaso que em certas cores de canários se fala de linha italiana, holandesa, belga no futuro irá acontecer o mesmo com os pintassilgos de cor. Sim pintassilgos de cor pois o critério de selecção foi a cor, porque também os pintassilgos são apreciados pelo seu canto. Na Espanha e nos países do Norte de África como a Argélia, Tunísia e Marrocos a captura alimenta a aficcion da criação de híbridos canária x pintassilgo macho. Os concursos de canto de pintassilgo são muito apreciados, mas isso é outro capítulo da história do pintassilgo.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
terça-feira, 15 de junho de 2010
"Venham mais 5" como diz a canção!
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Pintassilgo Parva

A época de 2010 promete, a fêmea do ano passado repetiu a proeza de fazer uma postura com 5 ovos. O macho também fez o seu papel e galou os 5 ovos.
Nas epocas anteriores morriam muitos embrioes na casca. As conversas que tive com colegas apontava sempre para falta de humidade dos ovos ser a responsavel pelas mortes. Este ano não fiu em conversas e fiz um tratamento contra coccidiose, salmonelas e colibacilose antes da postura, parece que valeu a pena. O ideal é não recorrer a quimicos, mas por vezes não temos alternativa, pois algumas aves são portadoras sem sintomas. (Espero que isto sirva de alerta a muitos criadores que se queixam deste problema de morte na casca e que nao fazem tratamentos antes da postura dos ovos, isso aconteca até aos melhores criadores.)

Ainda falta percorrer um longo caminho até a época de repouso. No Inverno é que saberei como é que correu a epoca de criação 2010. Até lá ainda é cedo para progronosticos...
terça-feira, 18 de maio de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
Realidades complexas
A domesticação foi um processo que começou na pré-historia, quando o Homem abandonou a sua condição nómada de caçador e colector de plantas e frutos. Começa o sedentarismo com a adaptação das espécies vegetais selvagens a serem cultivadas. As plantas com melhor produção eram guardadas as sementes para serem usadas no ano seguinte para obter boas colheitas. Desta pratica nasceu a agricultura. Para o ajudar a cultivar as terras capturou e amansou o cavalo, o burro e cruzou estas duas espécies e obteve o jumento, que possuía o tamanho do cavalo e a resistência do burro. O Homem pré-histórico escolheu e seleccionou as características dos animais e plantas que mais lhe convinha e através da reprodução tentou reforçá-las. Este processo eliminava da reprodução todos os indivíduos animais ou plantas defeituosos (com carácter selvagem, pouco produtivos de frutos ou sementes). Hoje a domesticação conduziu-nos a varias raças de cavalos e variedades de milho, feijão. A domesticação de uma espécie demora tempo, persistência, descartar da linha de reprodução os indivíduos fracos para podermos apurar a raça ou a linhagem.
Na ornitofilia actualmente ainda existem aficionados que ainda estão na era dos caçadores e outros mais avançados que estão na era dos agricultores. Os caçadores que tentam ser agricultores, ainda não entenderam a diferença entre caçar e cultivar. Um agricultor procura obter boas sementes, pois sabe que o trabalho de arranjar a terra é igual tanto para semear sementes fracas como boas, a diferença vai estar na colheita.
O desenvolvimento da agricultura, na pré-história veio aumentar a oferta de produtos alimentares. No inicio toda a produção era para consumo próprio do agricultor o excedente era necessário escoar. Isto veio dar origem as trocas de produtos e mais tarde ao aparecimento do comercio. Ou seja indivíduos que não eram agricultores levavam os produtos para outras regiões onde estes não eram produzidos. Nesses locais os produtos eram transaccionados ou trocados por outros. Devido a variedade da oferta e da procura de cada produto, assim variava a sua cotação ou valor.
O aparecimento do comercio, introduziu mais uma actividade diferente da caça e da agricultura. A combinação entre estas três actividades provoca a formação de vários tipos de cenários. Em todos eles esta presente o factor preço e o factor valor. Saber avaliar estes factores em função da actividade ou actividades do vendedor e o saber do comprador, pode evitar muitas desilusões.
Conclusão antes de comprar ou adquirir um pintassilgo saiba avaliar e responder as seguintes questões:
1- A ave provem de um caçador, agricultor ou comerciante?
2- O preço corresponde ao valor?
3- Conheço as necessidades da ave que vou adquirir?
3.1- Na duvida quem me sabe orientar/esclarecer?
Algumas realidades, poderão ser mais complexas e múltiplas por exemplo estarmos na presença de um caçador + agricultor + comerciante... O meu lema é na duvida decidir mais tarde ou como já ouvi dizer... adiar é resolver...
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Ideias e apontamentos.


quarta-feira, 5 de maio de 2010
Pulgões das roseiras
Novidades
segunda-feira, 19 de abril de 2010
O DENTE DE LEÃO

Dente-de-leão
Taraxacum dens leonis
Taraxacum officinale
O nome comum desta planta provem da forma do recorte das suas folhas ser parecida com os dentes do leão. Na designação latina o termo officinale significa que esta planta tem propriedades medicinais.
Na Primavera o Dente-de-Leão povoa os relvados, onde exibe as suas flores amarelas na ponta de hastes cilíndricas e mole. A raiz aprumada e comprida. fixa esta planta ao solo.
As folhas são ricas em vitamina A, C e Magnésio. O suco leitoso tem propriedades diurético, depurativo, tónicas combate a anemia, favorece o bom funcionamento do fígado.
Colher as folhas e os capítulos fechados com sementes verdes e pêlos brancos e fornecer a pintassilgos (Carduelis carduelis), verdilhões (Carduelis chloris), tentilhões (Fringila coelebs), e pintarroxos (Carduelis cannabina).
A recolha na Natureza do Dente-de-Leão requer alguns cuidados, pois em alguns locais podem ter sido contaminados por aspersão de produtos químicos ou fumo de escapes de automóveis. O ideal é cultivar a planta em vasos ou no quintal. Podemos semear ou então plantar alguns pés. Também se cortarmos uma raiz as rodelas e plantarmos esses bocados darão origem a novos pés.
MEIAS VERDADES
Apanhar ou arranjar um casal e eles criarem logo como os canários achei pouco vulgar. Não é impossível, mas na minha opinião é pouco provável. As razões para mim são óbvias. A fêmea tem de estar aclimatada. Tolerar a presença do criador, aceitar a alimentação comercial, (papa de ovo, bicho da farinha). Isto só se consegue com pássaros amansados ou nascidos em cativeiro e pelo que eu entendi não era o caso.
O tema criação de pintassilgos agora é moda. Já tinha esquecido o episódio relatado quando em conversa soube do resto da história. O dito casal de pintassilgos era composto por uma fêmea engaiolada a 4 anos e um macho recente. A minha duvida finalmente ficou esclarecida depois de descobrir o resto da meia verdade.
Não é segredo que ainda se continua a traficar pintassilgos e outras aves capturadas na feira que se realiza aos domingos de manhã num local da cidade do Porto. A cotação de um pintassilgo macho é de sete euros e meio. São baratos e muito frágeis, infelizmente... Concordam comigo? Se sim estão enganados. A minha afirmação é mais uma meia verdade. Para mim essas aves são caras porque estão debilitadas e para safar uma temos de comprar meia dúzia. Fazendo contas gastamos quarenta e cinco euros em 6 para ficar com 1. A compra de aves capturadas incentiva uma actividade que prejudica a imagem do aficionado criador de pintassilgos. Um pintassilgo criado em ambiente domestico tem outro potencial. Esta habituado a comida comercial, tolera a presença do Homem, cria com mais facilidade. O valor de um pintassilgo domestico não pode ser igual ao praticado nas feiras ou nos passarinheiros. O aspecto ancestral é igual em ambos. Pois, mas isto é outra meia verdade, o da feira é adquirido em bruto e o outro proveniente do criador já vem trabalhado.
Em Portugal ainda não esta establecida uma cultura centrada na criação domestica de pintassilgos parva. Antes de eu obter criação de pintassilgos Parva em ambiente domestico, já colegas o tinham conseguido e mais tarde abandonado. As razões são a proibição de deter este tipo de ave e ser possível arranjar aves de captura, e a criação de canários ser mais interessante. Pela vertente desportiva, não ser possível obter canários capturados iguais aos domésticos. Agora esse colega quis retomar a criação de pintassilgos de uma maneira económica. Trocou alguns dos seus canários por 6 pintassilgos apanhados. Lamentou-se que acabados de chegar começou a notar um embolado pegou nesse e deitou-o a vida e os outros para não os ver definhar fez o mesmo. O custo económico, ambiental, emocional desta pratica de tentar lapidar em bruto pintassilgos é muito elevado. Não é fácil manter um plantel domestico de pintassilgos Parva estável, pois é sempre necessário introduzir sangue novo de vez em quando. Procurar sempre adquirir aves devidamente anilhadas e de preferência a outros criadores. Este procedimento permite filtrar a introdução de indivíduos com factores negativos e regredir nos nossos objectivos de manter uma linhagem homogénea e fértil.
Deveria ser permitido legalmente criar pintassilgos Parva em ambiente domestico. Só com um controlo e registo de nascimentos seria possível garantir a diferença da origem e proveniência do pintassilgo mantido em ambiente domestico. Ainda existem muitas meias verdades sobre a facilidade ou dificuldade de reprodução do pintassilgo Prava em ambiente domestico. Para mim a principal diferença é o potencial de cada indivíduo a adaptação ao ambiente domestico. Nem todos os pintassilgos servem para a reprodução, isto devido ao seu carácter silvestre.
Já passaram alguns meses desde a altura em que eu iniciei esta crónica. A 5 de Janeiro de 2010 saiu a esperada Portaria que Regulamenta a detenção e criação de aves indígenas, vulgarmente conhecidas aves da fauna europeia. Nesta regulamentação foram esquecidos os pequenos criadores amadores com 1 ou 2 casais. As condições e taxas pedidas para cumprir a lei e a falta de informação objectiva afastam muitos destes processo. Os preços das aves importadas não esta ao alcance da maioria do povo. Enfim ter pintassilgos legais é só para quem pode ou pretende fazer comercio. Mesmo fazendo comercio ou seja quiser transaccionar legalmente aves, vai ter de informar anualmente o ICNB, para onde (morte ou fuga) ou para quem cedeu as aves. Claro que eu ao comprar um casal português legal o meu nome vai constar nos registos do ICNB. Isso implica que o ICNB vai saber quem compra as aves se esta registado ou não como criador. Agora fazendo contas compro um casal de pintassilgos ancestrais dou 300 euros, depois inscrevo-me como criador no ICNB 125 euros, mais registo o casal 50 euros, e todos os anos tenho de actualizar os registos (mortes, nascimentos, fugas e cedências) . Só para estar descansado desembolso 475 euros só para começar o meu plantel. Agora se contabilizarmos os trocos: cotas do clube, anilhas, comida, gaiola e acessórios, ficamos com uma ideia que não é para todas as carteiras. Infelizmente e mais uma vez a lei criou um fosso entre ricos e pobres, destinando a legalização para os ricos e a clandestinidade para os pobres. Aos arremediados cabe a difícil tarefa de optar se vale a pena ou se podem ser ricos.
Esta é a meia verdade que faltava, será que a Regulamentação publicada em 5 de Janeiro de 2010, vai contribuir para a protecção e conservação das aves da nossa fauna autóctona? No meu entender vai complicar a vida aos criadores desportivos, porque vai onerar a criação de variedades domesticas vulgo mutações, tornando as aves mais caras com taxas e burocracias. O medo das inspecções as papeladas e burocracias afastam os aficionados do regime de legalização, mesmo tendo aves mutadas diferentes das selvagens. Infelizmente nos clubes ornitológicos desportivos que eu conheço a informação sobre este assunto é escassa para não dizer nula. È pena pois já foi dado um passo de gigante com a publicação da Portaria, mas se calhar foi um passo demasiado largo para a realidade Portuguesa. A regulamentação tem de ser revista para incluir mais aficionados menos endinheirados, pois a grande maioria de detentores de pintassilgos são pessoas do Povo, geralmente aficionados pelo canto destas aves esses não fazem parte dos clubes ornitológicos, mas isto seria tema para outra crónica...
sábado, 27 de março de 2010
Gato por lebre!
Na aquisição de passaros todos os cuidados são poucos. A aquisição ou troca de passaros deve ser feita com confiança e depois de verificar certos parametros.
1-Aspecto geral do passaro. A plumagem deve estar em boas condições e aderente ao corpo. Passaros com caudas esfarrapadas e falta de penas, são sinal de stress. Pois ao baterem-se nas gaiolas esfarrapam as pontas da cauda ou das asas.
2-Adquiri sempre passaros anilhados com anilhas de diametro regulamentar. Este ponto é importante pois algumas aves apresentam anilhas fechadas demasiado largas.
3-Por ultimo nem sempre o preço corresponde ao valor da ave.
4- O entusiasmo nem sempre é bom conselheiro, ver bem o passaro e as condições de alojamento e na duvida não se precipitar. Por vezes adiar é resolver.
Foram estes pequenos detalhes que eu vi e que me chamaram a atenção.





