O canto foi a primeira característica a ser apreciada no pintassilgo (Carduelis carduelis). Os machos de pintassilgos tradicionalmente eram apanhados para serem mantidos em gaiolas pequenas de canto. Por tradição as fêmeas de pintassilgo são libertadas porque não cantam e nem procriam em cativeiro. Para se perpetuar o canto de um bom macho de pintassilgo, são usadas fêmeas de canario para se obter híbridos macho que irão aprender o canto do pai. Estes híbridos (Pintassilgo x Canária) são conhecidos como travessos. Actualmente esta pratica esta proibida, embora nos bairros sociais e em algumas varandas de apartamentos se avistam e ouvem pintassilgos e travessos a cantar em pequenas gaiolas. Os machos são alimentados só com alpista e alguma folha de couve galega. A maioria dos detentores destas aves, não esta filiada em nenhum clube, pois os clubes ornitológicos desportivos, mesmo a nivel mundial a COM (Confederação Ornitológica Mundial), não reconhece nem tem códigos de canto de pintassilgo. Tenho conhecimento que na zona de Lisboa algumas colectividades operárias organizam concursos de canto, mas são independentes das Federações Ornitológicas Desportivas Portuguesas ligadas a COM.-Portugal.
A captura de aves selvagens foi durante alguns anos autorizada em Portugal. Eram emitidas licenças ou guias que autorizavam a captura para estudo e anilhagem de aves selvagens. Nesses tempos era frequente vermos expostas e vendidas sem as minimas condições aves provenientes da Natureza. O bem estar das aves era ignorado, a alimentação era de sobrevivência o objectivo era o lucro e só o lucro. O trafico e abuso dos caçadores autorizados, levou a que fosse proibida a captura.
Um criador ornitófilo sente um fascínio pela beleza ou aprecia o canto das suas aves. Cuidar bem das suas aves significa estar disposto a gastar dinheiro para as ter em boas condições de alojamento, comprar os melhores alimentos e tratar delas no veterinário quando estão doentes. Aves bem tratadas, adaptadas e saudáveis cantam e procriam em ambiente domestico.
As aves que no passado foram capturadas com autorização e mantidas até hoje são consideradas ilegais. A practica de criar aves tipo selvagem em ambiente domestico é vista pelo Estado como uma actividade subversiva. Se houver algum cidadão que hoje tenha aves descendentes de aves capturadas na época em era permitido apanhar aves selvagens, pode ser incomodado pelas autoridades face a lei em vigor. A pena é uma multa e a apreensão das aves.
Infelizmente em Portugal, existem cidadãos e o Estado que não conseguem diferenciar o comportamento de um traficante, de um criador ornitófilo. A reprodução em ambiente domestico vulgo cativeiro, tem permitido aumentar o numero de algumas espécies de aves livrando-as da extinção. Citando Alvaro Blasina “Temos total consciencia da dificuldade que representa para as autoridades, distinguir o traficante do ornitófilo, como também para todos nós cidadãos é extremamente difícil se não impossível, distinguir o político honesto do corrupto, mas nem por isso a solução será colocar todos no mesmo conceito e classificação.”
Lembro que apesar das promessas recentes feitas aos clubes ornitológicos por uma federação Portuguesa, a Regulamentação (Artigo 15 A do DL 49/5005 de 24 de Fevereiro) da legalização da criação em ambiente domestico de raças de aves da fauna europeia até 20 Setembro de 2009, ainda não saiu do Ministério do Ambiente e ou Ministério da Agricultura. As eleições legislativas vão decorrer no dia 27 de Setembro de 2009.
Na Europa em alguns países como a Bélgica e a Holanda a legalização da criação de aves da fauna europeia permitiu criar novas raças de pintassilgo (Carduelis carduelis). O aparecimento de novas cores (mutações) em pintassilgos criados em ambiente domestico, permitiu o aparecimento de uma nova actividade económica. A criação em larga escala desenvolveu o comercio com o aparecimento de novas empresas e produtos para atender as necessidades dos criadores e ao bem estar destas novas raças. A Bélgica um pais pequeno tem uma percentagem da sua população que se dedica a criação e exportação destas novas raças de aves da fauna europeia. Alguns criadores portugueses deslocam-se a este pais para comprar mutações destas aves. Apesar de todas as despesas efectuadas e o risco que comporta transportar deste tipo de ave, chegados a Portugal tem de se manter no anonimato e a clandestinidade como criadores de mutações de aves da fauna europeia.
Manter a situação actual de simplesmente proibir a criação e manutenção de aves da fauna europeia em ambiente domestico, não vai acabar com os focos actuais de captura de aves selvagens para canto. Uma ave capturada será sempre mais barata que uma ave criada em ambiente domestico ou importada da Bélgica ou de outro pais da União Europeia.
A saída e publicação da Regulamentação poderia trazer ao Estado e ao país novas oportunidades de negócio com o turismo desportivo proporcionado pelas exposições ornitológicas, feiras de compra e venda de pássaros mutados, o aparecimento de novas empresas e produtos ligados a ornitologia desportiva ou de animais de estimação vulgo Pet. Temos um clima mais ameno que a Bélgica, favorável a criação ao ar livre, os preços da restauração e hotéis mais em conta que em muitos países da união europeia. Apesar da pequena dimensão do nosso pais, existem varios importadores e industriais de produtos ligados a ornitologia desportiva, que o Estado ignora ou desconhece o peso económico.
Em Janeiro de 2010, na cidade de Matosinhos esta marcado o 64º Campeonato Mundial de Ornitologia. Todos os expositores não pouparam a esforços para obter os melhores resultados neste concurso. Não tenhamos duvidas que os estrangeiros vão fazer negócio e establecer contactos para futuros negócios. Somos todos criadores amadores, mas necessitamos de despender dinheiro em alimentos, assessórios, livros, revistas, pagar anilhas e cotas nos clubes. Dependemos de empresas e instituições que sustentamos para alimentarmos o nosso passatempo.
Criador amador ou simples detentor de uma ave de gaiola, ricos ou pobres teremos sempre uma pegada ecológica, económica sobre a sociedade e sobre o Estado. Parece obvio que todos zelamos e queremos o bem estar para as nossas aves.
RICOS E POBRES
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