

Mascara vermelha, bico comprido, carapuça preta e espelho amarelo nas asas, cogumelo branco no peito e manto castanho o pintassilgo (Carduelis carduelis) é uma ave maravilhosa. O objectivo deste blog é partilhar e trocar ideias, experiências no manejo de pássaros do género Carduelis.
Todos os anos, a partir de Junho - Julho tenho lido alguns artigos cujos autores, muito justamente se alarmam, com a caça (leia-se «destruição») de que é vítima o Pintassilgo. Num breve parêntesis presto aqui a minha homenagem a «ORNITOCULTURA» por, em anos transactos ter dado guarida a opiniões de quem sabe, vê e sente o problema.
Infelizmente, constato que os gritos de a1arme de ecologistas,ornitólogos e amadores conscientes não são suficientes para a modificação deste estado de coisas: Os caçadores predadores que já quase dizimaram os pintassilgos no Norte vão, agora; na mira do lucro ou movidos por simples instinto de destruição a caminho do Sul pois, ao que parece no Ribatejo, Alentejo e Algarve «ainda vale a pena».
E quando acabar o Pintasilgo teremos (ou já temos?) o D. Fafe, o Pintarrocho e até o recem chegado Bico de Lacre, pobre turista, recebido a «golpes» de rede e «depenado» de pronto, não vá ele habituar-se às doçuras do clima e aos nossos brandos costumes.
O problema tem sido enunciado muitas vezes, poucas equacionado e nunca resolvido. Qual será então a solução? Promulga-se uma lei, que proiba isto e aquilo que não está bem? Talvez ajudasse, mas quem faz cumprir a lei? Na França, Alemanha ou Inglaterra há leis que regulam estas situações mas, nesses países as leis cumprem-se; aqui em Portugal... é o que se sabe. Claro que a minha intenção não é propor uma solução definitiva até Porque não a tenho mas isso não nos impede de, por um raciocínio linear ,.'concruir ,fJue ao passa;rínho caçado é atribuído um valor real bem pequenino (o da panela) e um valor venal às vezes nada pequeno ( o da venda ao amador de aves). É claro que o passarinho em liberdade tem um valor «natural», ecológico bem maior.
Chegados aqui sinto-me interrompido por um dos meus leitores: «Pois claro! Nós, os amadores é que temos as costas largas, olha se não havíamos de ser os culpados!.. Ele há cada moralista!...»
Não, amigos,sou um amador que me dedico às aves há uns bons trinta anos, com alguns gastos, nenhuns lucros mas com um entusiasmo cada vez maior. E eu, amador, me confesso que também pequei muitas vezes...
Há vinte ou trinta anos éramos poucos os amadores muitos os Pintassilgos, o pecado era pequeno. Com qualquer moeda de prata se comprava o «chibéuzito» (bons tempos esses em que circulavam moedas de prata !...) quando não era o amigo que oferecia um dos apanhados no quintal. Hoje as coisas já não são assim: os aficciona,dos são muitos e os Pintassilgos poucos.
Resumindo: O caminho do futuro s6 pode ser um; criar em cativeiro Pintassilgos, D. Fafes, Verdelhões, etc.
«O tipo é poeta!» - dirá o meu leitor de há pouco. Não, amigo,apenas professor o que, vamos lá, em termos de proventos se não é bem a mesma coisa serão, pelo menos actividades afins. Pois é, acredito ser este o desafio que o amador deve aceitar e até vou mais longe, que terá mesmo de aceitar mais tarde ou mais cedo.
O meu leitor é que não desarma e volta à carga: «Que é isso, ó parceiro? Você quer vender qualquer coisa à gente ou então está taradinho!... Vamos então engaiolar os Pintassilgos e criá-los em casa, para acabar mais depressa com eles? Você garante: que eles criam?»
Claro que não garanto coisa nenhuma mas lá que tenho os meus argumentos, tenho. Além do vício dos pássaros tenho o dos livros e, mais do que comprá-los, gosto de os ler. Não só livros que tratem de pássaros, evidentemente, esses são os dos tempos livres. E assim, aproveitei um dos meus primeiros dias de férias da Páscoa para uma das minhas habituais rondas pelas livrarias do centro do Porto. As novidades em termos de literatura ornitológica são raras mas os preços, amigos, aquilo que há anos se comprava a preço de «chibéu» custa-nos hoje quase tanto como um «galador»! Mas, desta vez, a novidade lá estava: um livro cujo autor dá pelo.nome de Richard Mark Martin, publicado inicialmente em inglês em 1980 - 81, traduzido para o francês e publicado em fins de 82 com o título «Oiseaux de Cage et de Voliéde», Ed. Bordas, impresso na Bélgica.
O livrinho não explica a técnica mas dá a notícia: O Pintassilgo, o Verdelhão, o Pintarroxo, o D. Fafe e outros são criados em cativeiro, regularmente e há vários anos em Inglaterra. E lá vem também referida a obtenção frequente de híbridos tais como: PintassilgoxD. Fafe, (ao que parece um dos mais apreciados pelos ingleses), CanárioxD.Fafe e Pintarrocho x D. Fafe. Mas a grande novidade foi, para mim uma que diz respeito ao Verdelhão: Os Ingleses já conseguiram mutações de Verdelhões Albinos e Lutinos.
Veja, leitor amigo, como sempre, partimos atrasados. Nós, os Portugueses somos assim: na única vez que nos adiantamos descobrimos o Mundo e parece que, desde então, só descobrimos que não precisávamos de descobrir mais nada.
Há meses li em «Ornitocultura» um artigo que muito apreciei e em que um colega amador (se ele, por caso, me ler digo-lhe que me sentirei muito honrado se permitir que o trate por colega) descrevia como conseguiu criar Diamantes de Gould. Como eu gostaria de ler um trabalho intitulado «Como consegui criar Pintassilgos ou D. Fafes em cativeiro»!
Mas aquele cidadão que me vem interrompendo, está na dele: «Ouça cá, patrãozinho, que me interessa a mim estar a perder tempo e feitio a criar «chibéus» se a Rua da Madeira me fica mesmo à mão? T'á c'os copos ou quê?»
Dedicado a este amigo português até à medula dos ossos, lusitano da mais pura água, do género que eu mais aprecio por ser homem com os pés bem assentes na terra, daqueles que não correm atrás de quimeras, informo de mais outra que vem no tal livrinho que me custou os olhos da cara. Diz respeito ao (Pintassilgo) e reza assim: Na Grã-Bretanha ele (o Pi!ntassilgo), está domesticado. O macho «,Don Juan» dos pássaros tem tendênci,a a seduzir as fêmeas de todas as espécies que se encontram na passareira».
E agora é a minha vez de perguntar, muito terra a terra, ao meu leitor refilão: «Diga lá, ó chefe, quanto é que você daria por um «galadorzinho» destes?»
É que, além do valor real e valor venal já ouvi falar (parece que a uns senhores políticos que vão muitas vezes à Televisão) em «valor acrescentado». Terá alguma coisa a ver com isto? Se imaginarmos a expressão despida do seu significado técnico que lhe esteja por ventura associado e a tomarmos assim, purinha, tal como o povo a pariu, acho que é isso mesmo. Quero dizer cá na. minha que o tra,balho do verdadeiro ama,dor deve ter por fim, não destruir, mas valorizar aquilo que temos.
Senhora da Hora, 24 de Março de 1983.




Gaiolas em caixa de madeira com grades na parte da frente e uma divisória amovível a meio.
Medidas (comprimento x largura x altura) = (125 x 50 x 75 cm). No fundo tem duas gavetas e por cima uma grade tem as funções de estrado e serve para as aves não poderem comer os alimentos despreciados. Os bebedouros são tipo sifão de gota.
Misturas de sementes usadas:
| Mistura Base | de C.A. | |
| Sementes | % | g |
| Alpista | 80% | 5000 |
| Níger | 5% | 300 |
| Aveia | 13% | 800 |
| Linhaça | 2% | 150 |
| | | |
| Total | 100% | 6250 |
| Mistura Forte | de C. A. | |
| Sementes | % | g |
| Níger | 47% | 500 |
| Linhaça | 7% | 75 |
| Milho Paínço | 37% | 400 |
| Milho Alvo | 9% | 100 |
| Total | 100% | 1075 |
Os comedouros terão sempre a mistura base, onde as aves comem primeiro as sementes escuras por sem mais apetitosas e terem mais gorduras. Ficando a mistura mais clara devemos acrescentar por cima um pouco da mistura forte que é constituída por sementes oleaginosas ricas em gorduras.
Os ninhos usados são em plástico, os mesmos usados na criação de canários. Estão colocados e devidamente camuflados por plantas de plástico imitando bambu ou canas da índia anãs. Podem se adquiridas em lojas chinesas.
Antes da eclosão dos ovos ( 1 ou 2 dias) é misturado na água de beber um anti-stress dos laboratórios ATRAL de nome “Finistress Vet” com preventivo da morte dos recém nascidos.
Dar bicho da farinha morto num pequeno pires.
Em Portugal actualmente 2008 a captura de aves selvagens continua. O site do SEPNA periodicamente relata casos de denuncias e sobre a actuação desta policia nesta área das aves da fauna europeia.
Por isso tentar criar aves de fauna europeia é um acto de loucura, por muito boas intenções que se tenha. A legislação não permite ponto final, mesmo que tenham sido importadas e de origem domestica, com anilha fechada e factura. Todos sabemos que as mutações não abundam na Natureza. Sim mesmo as mutações são proibidas de ter em ambiente domestico.
Exibir publicamente aves de fauna europeia criadas em cativeiro pode trazer problemas com as autoridades. Criar estas espécies em ambiente domestico é um tema tabu, embora se fale a boca pequena e já muitas pessoas tenham tentado e algumas conseguido.
O primeiro relato escrito de sucesso na criação de pintassilgos em cativeiro que encontrei foi na pagina 7 da revista “luso Zoo Magazine” de 27 de Novembro a 1 de Dezembro de 1998. Ao ler o artigo “Sobre criação de Exóticos – Pintassilgo em Cativeiro” fiquei maravilhado. Era possível a criação de pintassilgos capturados em cativeiro, desde essa altura procurei o máximo de informação sobre o assunto. Passados uns tempos, tornei-me sócio da AAP, pois na altura publicava a única revista periódica sobre aves canoras e ornamentais. No ano de 2000 apareceram uns artigos sobre aves de fauna europeia na revista Ornitofilia. Escrevi uma carta a AAP perguntando se havia algum sócio criador de pintassilgos. Responderam e deram-me um contacto, mais tarde desloquei-me propositadamente a AVISAN para conhecer e falar pessoalmente com este criador. Fiquei a saber que criava os pintassilgos capturados num grande viveiro ao ar livre onde no seu interior os pintassilgos faziam o ninho numa pequena laranjeira. Como alimento na altura da criação fornecia bicho trela ou bicho da farinha (Tenebrio molitor). Todas estas aves criadas por estas pessoas eram o símbolo da esperança que era possível obter aves da fauna europeia sem necessidade de andar sempre a capturar aves selvagens.
A Internet veio alargar os meus horizontes, a compra de alguns livros estrangeiros também. Infelizmente a aquisição de aves de fauna europeia de origem domestica não estava ao meu alcance. Em 2005 resolvi colocar em pratica toda a teoria que tinha na altura. Aproveitei e remodelei o espaço de um velho galinheiro e mandei fazer 3 viveiros cada um com (2 x 2 x 1 m) de altura x comprimento x largura. O telhado em chapas onduladas opacas. Em cada um meti um casal de pintassilgos (Carduelis carduelis) e num só um casal de verdilhões (Carduelis chloris) colocados em Fevereiro. Nesse ano o casal de verdilhões no inicio de Agosto faz uma postura de 4 ovos., mas não obtenho sucesso pois mesmo colocando o único pinto nascido de baixo de canárias o passarinho não sobrevive. Em 2006 no mes de Abril ao fundo do viveiro num ninho camuflado os verdilhões andam agitados com palha no bico. Em 31 de Maio de 2006 anilho os primeiros 4 verdilhões nascidos em ambiente domestico. Neste ano de 2006 os meus pintassilgos pouco cantavam e as fêmeas nem um ovo.
A aventura de criar o género Carduelis tinha começado embora ainda não tivesse conseguido chegar a espécie carduelis. Ser sócio de um clube de ornitofilia tem as suas vantagens, permite conhecer outros criadores. Nesse ano de 2006 conheci mais um criador de Carduelis carduelis. Fiquei a saber que ele criava pintassilgos em gaiolas de (1,00 x 0,75 x 50 m) comprimento x altura x profundidade. Mais uma vez fiquei surpreendido, criar em gaiolas? Pintassilgos? Pois é as fêmeas eram seleccionadas pelo seu fenotipo a sua alimentação cuidada, os ninhos cuidadosamente camuflados e os pintassilgos quando nasciam dois dias antes era misturado na agua um produto infalível que evitava a sua morte após o nascimento. Escusado sera dizer que eu tive que visitar as instalações e não descansei enquanto não apontei por escrito todos os truques deste processo infalível de criação.
Num próximo artigo irei transcrever o processo usado por este criador transmontano Português anónimo amante de pintassilgos de a longos anos.