sábado, 27 de março de 2010

Gato por lebre!

Agora que já é possivel transaccionar legalmente pintassilgos, fui visitar com um colega um indivíduo que comprou com factura dois casais anilhados...

Na aquisição de passaros todos os cuidados são poucos. A aquisição ou troca de passaros deve ser feita com confiança e depois de verificar certos parametros.

1-Aspecto geral do passaro. A plumagem deve estar em boas condições e aderente ao corpo. Passaros com caudas esfarrapadas e falta de penas, são sinal de stress. Pois ao baterem-se nas gaiolas esfarrapam as pontas da cauda ou das asas.

2-Adquiri sempre passaros anilhados com anilhas de diametro regulamentar. Este ponto é importante pois algumas aves apresentam anilhas fechadas demasiado largas.


3-Por ultimo nem sempre o preço corresponde ao valor da ave.


4- O entusiasmo nem sempre é bom conselheiro, ver bem o passaro e as condições de alojamento e na duvida não se precipitar. Por vezes adiar é resolver.

Foram estes pequenos detalhes que eu vi e que me chamaram a atenção.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Estratégias em caso de doença.



Na passada terça-feira, observei que uma das fêmeas reprodutoras estava ligeiramente embolada e os seus dois juvenis da primeira ninhada também. Observei um por um, todos tinham o ventre de aparência normal, não avermelhado, nenhuma mancha preta. As fezes eram consistentes tipo mousse, com uma parte escura e outra parte branca correspondente a urina. Coincidência ou não na semana anterior tinha-os mudado para outras gaiola. Depois de terminarem a muda, também alterei o tipo de alimentação, reduzi as sementes oleaginosas (nabo, niger, canhamo, linhaça) aumentei a alpista e mantive a perilla. Para compensar esta alteração durante uma semana misturei na agua de bebida um complexo vitamina B. A temperatura de Outono tinha baixado e houve queda de chuva.

Confesso que tenho alguma dificuldade em acertar no diagnostico de algumas doenças das aves. Os sintomas iguais, penas arrepiadas, perda de peso, falta de apetite, cabeça escondida debaixo da asa, podem ter origens em doenças diferentes. Acertar com o medicamento para combater agentes diferentes que provocam os sintomas semelhantes é sorte. Nestes casos resolvo sempre tentar fazer qualquer coisa, pois também aprendo com os meus erros. Na loja de animais de estimação onde me abasteço, costumo trocar impressões com o dono sobre novos produtos de ornitologia que aparecem nas prateleiras. Na ultima visita falamos sobre o Seridone, segundo parece muito procurado por quem tem pintassilgos. Segundo me confidenciou, até levam a embalagem maior, pois fazem curas preventivas, para evitar o pior. Seridone é o nome comercial, como por vezes, o mesmo produto químico tem nomes comerciais diferentes, eu peço para ver a composição do principio activo e que doenças combate.



Um ou dois dias passaram e o estado de saúde da fêmea degrada-se, prostrada no poleiro com as penas muito arrepiadas. Os dois juvenis continuavam morrinhentos. Fui comprar o Seridone e comecei a dar a dose recomendada na bebida. Passados 2 dias os juvenis estão mais activos e vou seguir o tratamento durante 8 dias conforme recomendado. A fêmea reprodutora não responde a este tratamento, quase não se alimenta com as sementes cozidas misturadas com pão ralado e já esconde a cabeça de baixo da asa. Tenho de tomar outras medidas urgentes e mudar o tratamento aplicado a esta fêmea. Resolvi fazer uma câmara aquecida, que basicamente é uma caixa em madeira com a frente em vidro e em que a fonte de aquecimento, são duas lampadas incandescentes de 40 watt colocadas dentro. Para medir a temperatura no interior usei um termómetro que indica 22 ºC. Na câmara aquecida, alojei a fêmea numa gaiola pequena, um comedouro só com alpista, outro pequeno com mistura de pintassilgos, e um comedouro de lingueta com sementes cozidas e pão ralado. No bebedouro uma solução de 2g de ESB3 em 1 litro de agua, que vou renovar todos os dias durante 5 dias. Se notar melhoras reduzo para 1 grama de Esb 3.



Passadas 24 horas noto que esta mais activa e já não esconde a cabeça debaixo da asa. No chão vejo algumas cascas de sementes e pão ralado. Os primeiros sinais são de recuperação... A cura vai demorar e mais tarde, lentamente terei de baixar a temperatura até retirar o aquecimento, avaliando o comportamento da fêmea. Depois dos tratamentos acabarem com sucesso, forneço vitaminas do Complexo B com vitamina K durante uma semana. Após esta cura de vitaminas na semana seguinte dou agua simples. Se passado este periodo noto que a ave ainda esta debilitada, volto a dar mais uma semana de Complexo B. Este ciclo pode-se repetir até a ave estar totalmente recuperada, não existe o perigo de sobre dosagem de vitaminas do complexo B pois o excesso é eliminado pelo organismo da ave.

Conclusão:
O pintassilgo é uma ave muito frágil devido ao seu pequeno tamanho corporal. O seu organismo não resiste muito tempo sem agua nem comida. Para manter a temperatura corporal tem de ir buscar energia aos alimentos. Geralmente uma ave doente tem pouco apetite, para regular a temperatura corporal embola as penas, o peito fica afiado devido a perda de peso.
Em caso de suspeita de doença, temos de actuar rapidamente. Conseguir que a ave doente se alimente e não tenha de despender energia corporal para se aquecer são as primeiras medidas a serem tomadas.
Alimento – sementes cozidas. Misturo em partes iguais sementes de cânhamo, perilla e níger. Coloco um recipiente com agua ao lume, quando começa a levantar fervura deito as sementes a cozer durante 5 minutos. Apago o lume e deixo 30 minutos as sementes de molho para absorver agua e calor. Depois escorro-as num passador e retiro de agua para as secar misturo pão ralado em pequena quantidade. As sementes cozidas que sobram guardo no frigorífico no máximo até 3 dias, por isso não preparar grandes quantidades de cada vez. A fervura amolece as sementes e esteriliza-as, sendo a sua digestão mais fácil dos hidratos de carbono e dos lípidos.
Calor – ajudar a ave a manter a temperatura corporal sem despender energia. Por isso meter a ave num ambiente aquecido com temperaturas entre os 25 – 30 ºC. Usar uma gaiola enfermaria, uma câmara aquecida ou estufa.
Vitaminas Complexo B – é constituido por um conjunto de diferentes vitaminas B1, B2, B3, B6, B12, B15, converte os alimentos em fontes de energia, contribui para a formação de anti-corpos e hormonas. Como as Vitaminas do grupo B são hidro-solúveis quando absorvidas em excesso são
expelidas pela urina, não se acumulam no organismo.
As estratégias apresentadas nem sempre resultam com todas as aves, mas podem ajudar a salvar algumas. Afinal o papel de um criador de aves é cuidar do seu plantel, ter prazer em ver as suas aves sadias, alegres e com muita vivacidade. Toda a dedicação que lhes possamos dispensar elas retribuirão dando-nos muitas alegrias...

PS: Em conversa com um colega que tinha acabado de conhecer, falamos sobre a alimentação de pintassilgos com granulado. Confesso que sempre tive algumas reservas em deixar de fornecer sementes. A dificuldade é fazer a transição entre os dois tipos de alimento. As vantagens do granulado são evidentes, não temos cascas, a composição de elementos nutritivos é constante (controlo de fabrica), menos probabilidade de contaminação da comida (embalagens fechadas na fabrica), mais fácil digestão pois o granulado é processado industrialmente, se as fêmeas aceitarem bem até não é necessário dar papa, não existe a possibilidade da ave escolher só um tipo de semente. O preço é mais caro, mas as sementes também já foram mais baratas, a vantagem é que proporcionalmente comem menos porque o granulado sacia. Já comprei granulado e resolvi misturar um pouco com as sementes e quando me aperceber que ele diminui nos comedouros é sinal que as aves já o comem. Pelo menos foi o que se passou com os pintassilgos do meu interlocutor. O período de repouso é o mais favorável para proceder a alterações no regime alimentar é o que vou fazer...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Plantel para o ano 2010 e outros comentários





Recentemente adquiri a um amigo um casal de Pintassilgos da Sibéria na cor ancestral ou fenotipo selvagem. Fenotipo quer dizer aspecto visual, pois são aves criadas em ambiente domestico, muito mansas de tamanho muito maior que a subespécie parva.



Entretanto vou continuar com os casais de Carduelis parva de 2009 e fazer mais 2 casais novos com aves que fiquei da criação deste ano.















Um dos meus objectivos para 2010 é ter disponíveis algumas aves para ceder ou trocar com outros criadores. Tenho conhecimento que em Portugal já existem alguns criadores de Carduelis parva, só que produzem poucos exemplares por época. Também sei por relatos que me chegam que cada vez são mais os Portugueses que se deslocam as feiras de pássaros na Bélgica e que compram mutações de pintassilgo major. Todos estamos clandestinos face as leis actuais, coremos sérios riscos pois estamos equiparados aos traficantes de aves silvestres. É injusto pois as nossas aves nascem em ambiente domestico, são tratadas com toda a tenção e cuidados, pois queremos que elas se reproduzam e sejam felizes sem preocupações de fugir dos predadores ou encontrar locais com comida. Os meus pintassilgos estão habituados a viver em gaiolas se eu lhes abrir a porta eles mantém-se confinados ao espaço que estão habituados.
Contaram-me uma história de como andam a expor aves de mutações de fauna europeia e depois de avaliadas e pontuadas, são escondidas do publico. A situação é caricata e não sei como é que vão resolver a situação da entrada de aves da fauna europeia no Mundial de Matosinhos em 2010. Ouvi algumas vozes descontentes a dizer que se não houver legalização para os criadores Portugueses os estrangeiros que vierem cá expor aves no Mundial de 2010 podem ser vitimas de denuncia ao SEPNA. Isto tudo que eu relato é futurologia o mais certo é que não aconteça nada, espero eu..., para bem de todos e que não estraguem os esforços desenvolvidos até agora pela FONP, junto das autoridades do estado Português.
Faço votos que tudo se resolva a bem e sem ir contra ninguém a bem de todos incluindo os criadores de aves.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Os Caminhos da Criação de Pintassilgos parva

O caminho para atingir o sucesso na criação de pintassilgos (Carduelis carduelis parva) em ambiente domestico pode ser mais ou menos longo. Porquê? Depende de algumas variáveis:

1- Experiencia do criador na reprodução de pássaros.
2- Proveniência dos casais reprodutores. ( captura?, amansados?, cativeiro?, domesticos?)


Tendo em conta que o criador é experiente, por exemplo já criou canários, já tirou travessos pássaros provenientes do cruzamento entre macho pintassilgo e fêmea de canario. Temos de avaliar qual a proveniência do casal de pintassilgos parva quando os adquirimos. A sua origem é que nos vai ditar o grau de dificuldade que vamos enfrentar até chegarmos ao nosso objectivo.


Aves de captura – caminho muito longo, incerto – não é por acaso que tradicionalmente é considerada impossível a reprodução em cativeiro.

Geralmente os machos são galadores, por isso é que são usados para se obter travessos. O problema é que as fêmeas dificilmente poem ovos. O choque provocado pela mudança de ambiente natural para o humanizado, alimentação natural para a comercial provoca a primeira selecção entre os indivíduos aptos e os inaptos à reprodução em ambiente domestico.


Aves amansadas – caminho longo, duvidoso – só os que acreditam que há vida para além da tradição é que trabalham esta via.

Passado algum tempo da captura, geralmente um ano, foi vencida a fase de adaptação as novas condições de vida. Nesta fase a sorte, a experiencia, os conhecimentos e dedicação do criador permitiram transformar aves de captura em aves amansadas. Já vimos que os machos são mais funcionais na reprodução. As fêmeas sem stress podem chegar a pôr ovos. Nesta fase nem todo o ciclo reprodutivo é estável devido a personalidade de cada indivíduo. Varios problemas podem ocorrer, aqui começa a segunda selecção. Só interessam as fêmeas e os machos que percorrem todo o ciclo reprodutivo com sucesso.


Aves de cativeiro – caminho pratico, mais dispendioso – para quem já não necessita da tradição e rompeu para um novo patamar.

As aves de cativeiro devem de ter uma anilha fechada com um diâmetro regulamentar. Cada criador deste tipo de ave tem uma maneira de criar. As aves provenientes de linhagens antigas já criadas em ambiente domestico a várias gerações garantem uma maior facilidade de manejo e reprodução. Só trabalhando com este tipo de ave e sem introduzir sangue selvagem é que se consegue obter aves mansas e moldáveis.

Aves domesticas – a melhor via, com garantia, patamar superior...

Em cativeiro ou ambiente domestico, o cruzamentos entre indivíduos aparentados pode potenciar o aparecimento de novas características recessivas, vulgarmente chamadas de mutações, pelo seu aspecto diferente do selvagem ou ancestral ou clássico. Quando surge a mutação e ela se consegue transmitir a descendência podemos dizer que estamos perante uma variedade domestica. Este caminho e trabalho permite a criação de novas raças domesticas que lentamente se afastam da forma selvagem ou ancestral. O aparecimento de mutações sem recorrer a hibridação com outras espécies próximas é muito raro e so pode ser potenciado quanto maior for o numero de acasalamentos em ambiente domestico.

Além da proveniencia é importante também atender as condições de saúde dos exemplares adquiridos. Em caso de duvida devemos rejeitar a compra, será preferível pagar um pouco mais porque teremos vantagem a longo prazo.

O alojamento deve ser adequado, para as aves mais calmas podemos usar espaços de menores dimensões, tipo gaiola dupla com 100 x 50 x 50 cm. Para as aves mais ariscas usar só 1 casal em cada viveiro com 200 x 100 x100 cm. Certamente que já leram ou viram casais de pintassilgos parva a nidificar em gaiolas de menores dimensões. Estes casos são excepções a regra.

A alimentação, no inicio durante 3 ou 4 dias, deve ser a mesma que as aves tiveram. Lentamente mudar para aquela que consideramos mais adequada. Assim evitaremos disturbios digestivos e outras complicações.


Nestes itinerarios apresentados para atingir o sucesso na criação de pintassilgos (Carduelis carduelis parva) não entrei em linha de conta com juízos ou valores. Tornaria este tema mais polémico e menos objectivo. Sei que o Mundo é feito de muitas cores e muitos sabores...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

RICOS E POBRES

O canto foi a primeira característica a ser apreciada no pintassilgo (Carduelis carduelis). Os machos de pintassilgos tradicionalmente eram apanhados para serem mantidos em gaiolas pequenas de canto. Por tradição as fêmeas de pintassilgo são libertadas porque não cantam e nem procriam em cativeiro. Para se perpetuar o canto de um bom macho de pintassilgo, são usadas fêmeas de canario para se obter híbridos macho que irão aprender o canto do pai. Estes híbridos (Pintassilgo x Canária) são conhecidos como travessos. Actualmente esta pratica esta proibida, embora nos bairros sociais e em algumas varandas de apartamentos se avistam e ouvem pintassilgos e travessos a cantar em pequenas gaiolas. Os machos são alimentados só com alpista e alguma folha de couve galega. A maioria dos detentores destas aves, não esta filiada em nenhum clube, pois os clubes ornitológicos desportivos, mesmo a nivel mundial a COM (Confederação Ornitológica Mundial), não reconhece nem tem códigos de canto de pintassilgo. Tenho conhecimento que na zona de Lisboa algumas colectividades operárias organizam concursos de canto, mas são independentes das Federações Ornitológicas Desportivas Portuguesas ligadas a COM.-Portugal.


A captura de aves selvagens foi durante alguns anos autorizada em Portugal. Eram emitidas licenças ou guias que autorizavam a captura para estudo e anilhagem de aves selvagens. Nesses tempos era frequente vermos expostas e vendidas sem as minimas condições aves provenientes da Natureza. O bem estar das aves era ignorado, a alimentação era de sobrevivência o objectivo era o lucro e só o lucro. O trafico e abuso dos caçadores autorizados, levou a que fosse proibida a captura.

Um criador ornitófilo sente um fascínio pela beleza ou aprecia o canto das suas aves. Cuidar bem das suas aves significa estar disposto a gastar dinheiro para as ter em boas condições de alojamento, comprar os melhores alimentos e tratar delas no veterinário quando estão doentes. Aves bem tratadas, adaptadas e saudáveis cantam e procriam em ambiente domestico.

As aves que no passado foram capturadas com autorização e mantidas até hoje são consideradas ilegais. A practica de criar aves tipo selvagem em ambiente domestico é vista pelo Estado como uma actividade subversiva. Se houver algum cidadão que hoje tenha aves descendentes de aves capturadas na época em era permitido apanhar aves selvagens, pode ser incomodado pelas autoridades face a lei em vigor. A pena é uma multa e a apreensão das aves.

Infelizmente em Portugal, existem cidadãos e o Estado que não conseguem diferenciar o comportamento de um traficante, de um criador ornitófilo. A reprodução em ambiente domestico vulgo cativeiro, tem permitido aumentar o numero de algumas espécies de aves livrando-as da extinção. Citando Alvaro Blasina “Temos total consciencia da dificuldade que representa para as autoridades, distinguir o traficante do ornitófilo, como também para todos nós cidadãos é extremamente difícil se não impossível, distinguir o político honesto do corrupto, mas nem por isso a solução será colocar todos no mesmo conceito e classificação.”

Lembro que apesar das promessas recentes feitas aos clubes ornitológicos por uma federação Portuguesa, a Regulamentação (Artigo 15 A do DL 49/5005 de 24 de Fevereiro) da legalização da criação em ambiente domestico de raças de aves da fauna europeia até 20 Setembro de 2009, ainda não saiu do Ministério do Ambiente e ou Ministério da Agricultura. As eleições legislativas vão decorrer no dia 27 de Setembro de 2009.

Na Europa em alguns países como a Bélgica e a Holanda a legalização da criação de aves da fauna europeia permitiu criar novas raças de pintassilgo (Carduelis carduelis). O aparecimento de novas cores (mutações) em pintassilgos criados em ambiente domestico, permitiu o aparecimento de uma nova actividade económica. A criação em larga escala desenvolveu o comercio com o aparecimento de novas empresas e produtos para atender as necessidades dos criadores e ao bem estar destas novas raças. A Bélgica um pais pequeno tem uma percentagem da sua população que se dedica a criação e exportação destas novas raças de aves da fauna europeia. Alguns criadores portugueses deslocam-se a este pais para comprar mutações destas aves. Apesar de todas as despesas efectuadas e o risco que comporta transportar deste tipo de ave, chegados a Portugal tem de se manter no anonimato e a clandestinidade como criadores de mutações de aves da fauna europeia.


Manter a situação actual de simplesmente proibir a criação e manutenção de aves da fauna europeia em ambiente domestico, não vai acabar com os focos actuais de captura de aves selvagens para canto. Uma ave capturada será sempre mais barata que uma ave criada em ambiente domestico ou importada da Bélgica ou de outro pais da União Europeia.

A saída e publicação da Regulamentação poderia trazer ao Estado e ao país novas oportunidades de negócio com o turismo desportivo proporcionado pelas exposições ornitológicas, feiras de compra e venda de pássaros mutados, o aparecimento de novas empresas e produtos ligados a ornitologia desportiva ou de animais de estimação vulgo Pet. Temos um clima mais ameno que a Bélgica, favorável a criação ao ar livre, os preços da restauração e hotéis mais em conta que em muitos países da união europeia. Apesar da pequena dimensão do nosso pais, existem varios importadores e industriais de produtos ligados a ornitologia desportiva, que o Estado ignora ou desconhece o peso económico.


Em Janeiro de 2010, na cidade de Matosinhos esta marcado o 64º Campeonato Mundial de Ornitologia. Todos os expositores não pouparam a esforços para obter os melhores resultados neste concurso. Não tenhamos duvidas que os estrangeiros vão fazer negócio e establecer contactos para futuros negócios. Somos todos criadores amadores, mas necessitamos de despender dinheiro em alimentos, assessórios, livros, revistas, pagar anilhas e cotas nos clubes. Dependemos de empresas e instituições que sustentamos para alimentarmos o nosso passatempo.


Criador amador ou simples detentor de uma ave de gaiola, ricos ou pobres teremos sempre uma pegada ecológica, económica sobre a sociedade e sobre o Estado. Parece obvio que todos zelamos e queremos o bem estar para as nossas aves.


RICOS E POBRES

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Valeu a pena

A esperança e a perseverança são qualidades muito úteis num criador. A esperança permite acreditar que é possível chegar aos nossos objectivos. A perseverança porque nem sempre se consegue a primeira atingir a meta que nos propomos não podemos desistir ou esmorecer até cumprirmos a tarefa que nos propusemos a partida.


Neste final de época de criação 2009, finalmente consegui obter e anilhar as primeiras crias de pintassilgo, e hoje devem ter nascido verdilhões. Até ao fim de Agosto e se as aves não entrarem em muda a época de criação continua. Valeu a pena eu acreditar e ter perseverança.


segunda-feira, 29 de junho de 2009

Os contratempos na criação

Os contratempos também acontecem, nem sempre tenho sucesso nos objectivos que me proponho atingir. Como diz o poeta “quando o Homem sonha o Mundo pula e avança.”

Este inicio de 2009 parecia muito promissor, os casais de pintassilgo e verdilhão estavam bem. Entretanto resolvi fazer uma ligeira alteração ao regime alimentar apostando mais na alpista como base da alimentação. Começou aí o meu primeiro erro, não deveria durante a preparação alterar o regime alimentar. Uma das condições para que as aves fiquem predispostas a acasalar é o aumento da variedade de alimentos e de proteínas e vitaminas na sua dieta. Não é por acaso que na Primavera existe uma maior variedade de plantas e um aumento da quantidade de insectos. Outro erro foi durante um período de tempo parar de fornecer papa Cê-Dê misturada com germinado e bicho da farinha, não compensei com o fornecimento de plantas e/ou ervas selvagens. O tempo continuou a decorrer e finalmente uma fêmea faz e desfaz o seu ninho, passada uma semana nada de ovos. Outra começa a fazer o ninho, quando dou conta, vejo vestígios de gema e mais tarde encontro resquícios de cascas no chão da gaiola. Passados alguns dias perco esta fêmea nascida o ano passado em Agosto. Começo a duvidar do potencial dos 3 casais de pintassilgo. Como não oiço os machos a cantar resolvo colocar uma baia opaca nas gaiolas duplas de cada casal. O canto dos machos estimula a ovulação das fêmeas. Para ajudar resolvo acrescentar a agua de beber vitaminas AD3E + K. Agora já oiço os machos a cantar, aumento a quantidade de sementes de níger, acrescento girassol preto descascado por mim. Do lado das fêmeas reforço a quantidade de material disponível para a construção do ninho. (julgo eu que capturar pintassilgos não dá tanto trabalho). No meu pensamento uma voz diz-me que vale a pena e acreditar que de Junho a Agosto é ainda é possível alguma das fêmeas ponham ovos. Finalmente a 24 de Junho num gaiola vejo que desaparece o material que coloquei para os ninhos a fêmea começa a construir o ninho, e a 26 de Junho aparece o primeiro ovo. A medida que vai pondo os ovos vou substituindo por ovos de plástico. Ainda falta passar pelo período de incubação, depois confirmar que os ovos foram galados, que os embriões são viáveis, que as crias vão nascer, e que vão ser alimentados no ninho e depois vencerem a fase da emancipação e separação dos pais e finalmente sobrevivam a fase da muda da pena, este ano ainda não consegui obter crias, mas renasce a esperança...