terça-feira, 26 de novembro de 2013

Silvestrismo à portuguesa

O Silvestrismoem Portugal  é uma pratica clandestina. Consiste em capturar pequenos fringilideos (pintassilgos, verdilhões, cerezinos, lugres e pintarroxos) para os manter em gaiolas e ouvi-los a cantar.

O pintassilgo deve ser o mais perseguido e procurado. Infelizmente a falta de regulação e regulamentação desta actividade em Portugal não traz nenhum beneficio para o Estado nem para os muitos praticantes deste modo de vida.

O Silvestrista português típico é operário, já tem uma certa idade, pouca escolaridade e muita paixão pelos pássaros de canto.

No mundo dos pássaros, passarinheiros, criadores mais cedo ou mais tarde acontecem encontros inesperados. Foi o que me aconteceu.

Conheci um rapaz que dizia ter alguns pintassilgos cantadores e um travesso muito bom. Eu disse lhe que criava pintassilgos e ele ficou muito admirado e um pouco incrédulo. Mostrei interesse em ouvir os seus pássaros e ele prontamente me convidou a ir a sua casa.

Por cima de uma placa de garagem estava um pequeno anexo com muita luz e bem arejado. Na parede voltada para a entrada numa prateleira estavam pequenas gaiolas de exposição cada uma com um pintassilgo seriam talvez umas 10 ou 12. Pegou numa trouxe-a cá para fora e ao Sol a ave começou logo a cantar. Fiquei maravilhado



A surpresa maior foi quando me mostrou um híbrido de gravata um cantor incansável e mestre dos outros pintassilgos.





Alimentação de Inverno

No Inverno os pintassilgos que estão ao ar livre necessitam de uma nutrição mais calórica para fazer face ao frio. Adicionar girassol descascado à alpista simples e uma malagueta cortada a meio e fixa nas grades da gaiola. Para avivar as cores da mascara vermelha um pouco de papa com corante...

domingo, 17 de junho de 2012

O que será?


Em Janeiro de 2011 comentei neste blogue a minha situação de não ter nenhum documento que provasse a minha situação legal face ao ICNB. O tempo continua a passar e a trazer novidades. Ja recebi a factura, ja paguei o valor do Registo de Criador ao ICNB, tenho um numero ICNB de Criador de Aves Indígenas. Em Fevereiro deste ano de 2012 já enviei o Averbamento que é uma espécie de inventario das aves de fauna europeia na minha posse (nascidas ou adquiridas legalmente) ou as que transitaram (morreram ou cedidas). E já passaram 4 meses e ainda não recebi a factura para o pagamento deste averbamente. Espero que o valor de 50 euros previsto não aumente para este acto administrativo.


Depois de Janeiro de 2010 e na sequencia de uma vaga de calor perdi vários pintassilgos. Foi uma razia, não adiantou nada eu ter consultado um veterinário dito especialista em pombos e outros especializado em exoticos.

A doensa começou por uma perda de penas a volta do bico. Uma fêmea reprodutora ficou careca com o aspecto das galinhas carecas que tem o pescoço sem penas. A situação nos casos mais graves os pintassilgos ficavam com o peito desplumado e no extremo ficavam despenados por baixo das asas. Todos os infectados acabaram por morrer. Neste lote perdi um casal de major importados da Belgica e varios casais de repeodutores Parva.

O veterinário columbofilo diagnosticou acaros das penas, receitou tratamento com Ivermectina e vendeu-me um pó insecticida para pulverizar todo o local onde estavam alojados os pintassilgos. O veterinario dos exoticos também colocou a hipotese de serem acaros da pele que estando alojados nos fuliculos das penas provocaria a sua queda. Inclusivé fez uma raspagem a pele e foi pesquisar ao microscopio vestigios de acaros. Informei que ja tinha feito um tratamento com ivermectina, mas ele reformulou o tratamento e se não resultasse colocou a hipotese de serem fungos. Claro que o problema não se resolveu com ivermectina e la fui comprar o antifungico vendido na clinica. Tive de dar uma gota no bico de cada passaro doente, coisa que não foi facil para mim. Conclusão gastei tempo e dinheiro e no fim os que estavam doentes morreram todos. Na altura fiz o balanço economico das perdas dos pintassilgos mais gastos nos veterinários e perguntei-me se valeria a pena continuar com este passatempo e gasta dinheiro.


Passado um ano depois deste episodio ainda não estou recomposto. Perdi os meus melhores reprodutores e não tive sorte na aquisição de um trio de Parvas. Estamos actualmente a meio de junho e nada de sinais de nidificação... Com um plantel novo de pintassilgos Parva estou a atravessar o deserto. A retoma do ciclo reprodutivo destes casais novos formados por adquiridos e residentes vai ser dificil. O problema é que perdi as fêmeas reprodutoras e as duas adquiridas e uma nova residente acasaladas com machos novos não arrancam para a reprodução.

O caminho não esta facil, uso o mesmo método que usei no passado e me deu bons resultados. será dos passaros? será do criador? será do manejo? ou será que afinal não percebo nada de criação de pintassilgos?



sábado, 5 de março de 2011

Qual o Custo Aproximado de um Pintassilgo?

Recentemente um leitor deste blog enviou um comentário com a seguinte pergunta:

Qual o Custo Aproximado de um Pintassilgo?

Não é possível responder objectivamente a questão formulada, porque esta incompleta.

Pensemos na resposta a interrogação, qual o custo aproximado de um automóvel? Alguém sabe responder só com os elementos fornecidos nesta pergunta? Claro que faltam dados mais objectivos.

O mesmo se passa com a questão custo de um pintassilgo. Temos de saber mais sobre qual o tipo de ave. O pintassilgo é para canto? é para apresentar numa exposição? é cor normal ou é cor mutação? pode ser criado por canárias? o pintassilgo é dos pequenos ou dos grandes? muitas mais condições se poderiam levantar. É bom saber o que se procura para além do preço, e se o que vamos adquirir serve os nossos objectivos, dentro do orçamento de que dispomos.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Capturas Sim Ou Não?

A conversa é sempre a mesma.

1-Capturar aves silvestres é uma tradição.
2-O Silvestrismo é permitido em Espanha, porque não em Portugal?
3-De onde vieram os primeiros pintassilgos senão de capturas!
4-Que mal tem apanhar 1 ou 2 pintassilgos?

O que eu penso sobre estas questões.

1-Também na pré-historia o Homem caçava para se alimentar, tirava a pele aos animais para se cobrir. No entanto hoje século XXI, temos as lojas para comprar comida e roupa. Para atender as nossas necessidades não temos de recorre as tradições da pré-história.

2-O Silvestrismo em Espanha só é permitido em algumas autonomias. Para o praticar é necessário ter uma autorização de captura só de machos para certas espécies. Inclusive esta proibida a criação em cativeiro em algumas autonomias onde a captura é legal. Por isso em Espanha o problema da detenção de pássaros silvestres é limitada se não for proibida. O numero de pássaros por detentor autorizado é limitado e obrigatório estar inscrito numa Federação de Caça. Sim de caça o que para mim não faz sentido, pois na caça as presas são mortas o que é diferente da captura apanhar a presa vida.

3- Claro que os primeiros pintassilgos foram capturados na Natureza. Todas as espécies domesticas de animais tiveram origem na Natureza. Algumas transformaram-se de tal modo que deram origem a novas raças e o seu aspecto modificou-se. Hoje não se capturam javalis para fazer presuntos. Nem para ter uma criação de coelhos vamos buscar os reprodutores ao monte. Porquê? Criar porcos é mais fácil, e os coelhos podemos escolher a raça. Alem de que o manejo é muito mais simples requer menos recursos, estão habituados a presença do homem e são mais rentáveis.

4-Não tem mal nenhum capturar 2 ou três pintassilgos. O problema é que são 2 ou três a multiplicar por quantas pessoas? Mesmo com a interdição das capturas continuamos a assistir ao trafico de aves baratas e frágeis. Como aves baratas se morrerem compra-se mais e o ciclo continua. Hoje existe alternativas a captura, pois em Portugal é permitido possuir aves indígenas de proveniência legal. O preço não é o mesmo por isso quem compra ave legal, tem cuidado redobrado pois se morrer o prejuízo é maior e a facilidade de repor a perda não é igual.

O canto de um pintassilgo silvestre é diferente e mais rico também pode ser verdade. Agora também sei que o canto do canário silvestre é diferente dos canários domésticos de canto e isso foi conseguido através da criação selectiva das raças de canários cantores (Timbrado, Harze e Malinois. O pintassilgo domestico trabalhado também pode dar a varias escolas de canto. Para isso é necessário trabalhar as aves e cria-las em cativeiro direccionados para o canto. Estou a lembrar-me do curio pássaro nativo do Brasil criado exclusivamente como ave canora e treinada para concursos.

Não estou a julgar quem captura, hoje não entendo as suas razões. Um pintassilgo capturado é diferente de um amansado ou de proveniência domestica, contém lá as histórias que me contarem.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O tempo passa...

Ja tinha decidido não voltar a escrever neste blog. O tempo passa e também molda as nossas convicções.

Foram necessários vários anos para que em Portugal criar aves tipo indígenas não fosse uma actividade clandestina. Desde de 2001 que os papeis estavam na gaveta de um Ministério e só com a realização do Mundial de Matosinhos 2010 é que a ferros saiu parte da legislação que permitiu a entrada de aves fauna europeia estrangeiras.

No ICNB fazem o que é possível para dar seguimento aos pedidos de legalização de aves e aos registos de criadores. Agora falta resolver a parte de Tesouraria ou seja quem vai receber o dinheiro e para onde vai esse dinheiro a receber dos processos de Registo de Criadores e aves? Penso que falta sair mais uma Portaria que regulamente esta situação. Mas a historia não acaba aqui, alguém sabe me dizer qual é o modelo do livro de registo de aves? As anilhas por lei tem de ser acreditadas por uma entidade quem me pode indicar o nome? Eu e outros criadores estamos Registados junto do ICNB até me indicaram o numero do meu processo. Se o SEPNA vier cá a casa não tenho nenhum documento emitido pelo ICNB a provar o meu registo. (Lógico pois eu ainda não paguei nada...)


Há mais, mas o melhor é ficar por aqui...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dois caminhos só uma opção...

A nova legislação em vigor implica uma maior responsabilidade na escolha e aquisição de aves indígenas e de aves sujeitas a CITES. Todos os possuidores ou detentores não registados no ICNB de um só exemplar correm o risco de serem multados no valor mínimo de 20 mil euros por cada ave.

Esclareço que um particular para possuir 1 único exemplar de pintassilgo legal numa gaiola tem de estar registado no ICNB. O valor do registo em 2010 é de 125 euros. Reforço a ideia do registo pois é obrigatório quer para criadores quer para particulares que tenham uma única ave de fauna europeia., mesmo que não participem em exposições nem façam reprodução da espécie em causa.

Devido a falta de capacidade de resposta dos pedidos de registo que entretanto chegaram ao ICNB, o prazo de legalização dos exemplares de aves de fauna europeia legalmente adquiridos, termina no final do mês de Setembro de 2010.

É importante que todos os possuidores clandestinos de espécies de aves da fauna europeia, pensem nas consequências da não legalização da sua situação junto do ICNB. No futuro não poderão transaccionar ou transportar ou deter as suas aves, pois o risco é de 20 mil euros de multa no mínimo. Acreditem que o SEPNA actua se forem denunciados por vizinhos ou se passarem agentes da autoridade e ouvirem o canto de algum macho clandestino. Mesmo os possuidores de travessos ou hibridos estão sujeitos a mesma coima.

Um criador de fauna europeia clandestino, pode ser comparado a um indivíduo que emite e passa notas falsas. Este indivíduo além de correr um grande risco o que produz não tem valor. Não tenham ilusões mesmo que sejam pertencente ou não a um clube ornitológico possuidores de mutações de aves da fauna europeia adquiridas a criadores ou comerciantes estrangeiros, não estando Registados ficarão de fora do sistema legal com as devidas consequências.

Não vou tecer considerações sobre a lei, apenas quero alertar que o facto de haver uma lei que permite a posse legal de aves da fauna europeia, antigamente conhecida por aves indígenas foi um grande avanço relativamente a haver uma proibição total.


Hoje, 25 de Julho de 2010 a situação e os procedimentos para pedir o Registo ao ICNB é do conhecimento de todos os dirigentes dos clubes ornitológicos desportivos. Quem estiver filiado e federado e tiver aves CITES ou aves indígenas ou de fauna europeia, pode tratar dos documentos necessários e preencher os impressos e pagar 125 euros para o ICNB. Todos os processos recolhidos nos clubes serão posteriormente enviados para a FONP, para que o ICNB dê uma resposta em tempo útil, para que este ano seja possível expor este tipo de aves em 2010.

O caminho vai ser longo para os pioneiros que façam o seu Registo, pois ainda falta definir como será o modelo do Livro de Registo (obrigatório só para criadores legalizados) onde estão inventariadas todas as aves. Em 2010 será o primeiro ano em que será possível haver nas exposições aves sujeitas a todas estas formalidades. Qual será a reacção do SEPNA?

Quem aderir ao Registo no ICNB escolhe um caminho peregrino. Ficar de fora do sistema pode custar no mínimo 20 mil euros. Os criadores amadores de fauna europeia tem os dias contados.

A lei portuguesa obriga-nos a escolher um único caminho eu já fiz a minha opção. Despeço-me de todos os leitores e seguidores deste blog, agradeço a todos aqueles que me acompanharam ao longo desta aventura. Prosseguir com os artigos sobre Carduelis pode ser interpretado como incentivo a uma pratica ilegal de reprodução em cativeiro de aves sujeitas a condições especiais de posse e detenção. Apenas foi o meu objectivo demonstrar de forma ingénua que não é necessário capturar e é possível criar em ambiente domestico aves da fauna europeia.