quarta-feira, 5 de maio de 2010

Novidades

Este ano já nasceram nos meus viveiros 2 crias de verdilhão (Carduelis chloris). Vamos ver se chegam a emancipação, já foram anilhadas, mas ainda é cedo para atirar os foguetes.

O casal de Major já fez ninho,a esperança cresce, mas ainda é cedo para mais fogo de artifício.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

PINTASSILGO MASCARA PRETA

O DENTE DE LEÃO






Dente-de-leão
Taraxacum dens leonis
Taraxacum officinale

O nome comum desta planta provem da forma do recorte das suas folhas ser parecida com os dentes do leão. Na designação latina o termo officinale significa que esta planta tem propriedades medicinais.

Na Primavera o Dente-de-Leão povoa os relvados, onde exibe as suas flores amarelas na ponta de hastes cilíndricas e mole. A raiz aprumada e comprida. fixa esta planta ao solo.

As folhas são ricas em vitamina A, C e Magnésio. O suco leitoso tem propriedades diurético, depurativo, tónicas combate a anemia, favorece o bom funcionamento do fígado.

Colher as folhas e os capítulos fechados com sementes verdes e pêlos brancos e fornecer a pintassilgos (Carduelis carduelis), verdilhões (Carduelis chloris), tentilhões (Fringila coelebs), e pintarroxos (Carduelis cannabina).

A recolha na Natureza do Dente-de-Leão requer alguns cuidados, pois em alguns locais podem ter sido contaminados por aspersão de produtos químicos ou fumo de escapes de automóveis. O ideal é cultivar a planta em vasos ou no quintal. Podemos semear ou então plantar alguns pés. Também se cortarmos uma raiz as rodelas e plantarmos esses bocados darão origem a novos pés.

MEIAS VERDADES

Em Junho no ano passado, tomei conhecimento que um colega meu também criou pintassilgos. Colocou um casal numa barrica de plástico, com uma janela em rede, que lhe permitia o acesso e entrada da luz e ar ao interior. O seu comentário comigo foi eu também crio pintassilgos. Fiquei contente porque para mim o importante é cultivar a criação domestica desta espécie e incentivar o desinteresse pelas capturas.


Apanhar ou arranjar um casal e eles criarem logo como os canários achei pouco vulgar. Não é impossível, mas na minha opinião é pouco provável. As razões para mim são óbvias. A fêmea tem de estar aclimatada. Tolerar a presença do criador, aceitar a alimentação comercial, (papa de ovo, bicho da farinha). Isto só se consegue com pássaros amansados ou nascidos em cativeiro e pelo que eu entendi não era o caso.


O tema criação de pintassilgos agora é moda. Já tinha esquecido o episódio relatado quando em conversa soube do resto da história. O dito casal de pintassilgos era composto por uma fêmea engaiolada a 4 anos e um macho recente. A minha duvida finalmente ficou esclarecida depois de descobrir o resto da meia verdade.



Não é segredo que ainda se continua a traficar pintassilgos e outras aves capturadas na feira que se realiza aos domingos de manhã num local da cidade do Porto. A cotação de um pintassilgo macho é de sete euros e meio. São baratos e muito frágeis, infelizmente... Concordam comigo? Se sim estão enganados. A minha afirmação é mais uma meia verdade. Para mim essas aves são caras porque estão debilitadas e para safar uma temos de comprar meia dúzia. Fazendo contas gastamos quarenta e cinco euros em 6 para ficar com 1. A compra de aves capturadas incentiva uma actividade que prejudica a imagem do aficionado criador de pintassilgos. Um pintassilgo criado em ambiente domestico tem outro potencial. Esta habituado a comida comercial, tolera a presença do Homem, cria com mais facilidade. O valor de um pintassilgo domestico não pode ser igual ao praticado nas feiras ou nos passarinheiros. O aspecto ancestral é igual em ambos. Pois, mas isto é outra meia verdade, o da feira é adquirido em bruto e o outro proveniente do criador já vem trabalhado.


Em Portugal ainda não esta establecida uma cultura centrada na criação domestica de pintassilgos parva. Antes de eu obter criação de pintassilgos Parva em ambiente domestico, já colegas o tinham conseguido e mais tarde abandonado. As razões são a proibição de deter este tipo de ave e ser possível arranjar aves de captura, e a criação de canários ser mais interessante. Pela vertente desportiva, não ser possível obter canários capturados iguais aos domésticos. Agora esse colega quis retomar a criação de pintassilgos de uma maneira económica. Trocou alguns dos seus canários por 6 pintassilgos apanhados. Lamentou-se que acabados de chegar começou a notar um embolado pegou nesse e deitou-o a vida e os outros para não os ver definhar fez o mesmo. O custo económico, ambiental, emocional desta pratica de tentar lapidar em bruto pintassilgos é muito elevado. Não é fácil manter um plantel domestico de pintassilgos Parva estável, pois é sempre necessário introduzir sangue novo de vez em quando. Procurar sempre adquirir aves devidamente anilhadas e de preferência a outros criadores. Este procedimento permite filtrar a introdução de indivíduos com factores negativos e regredir nos nossos objectivos de manter uma linhagem homogénea e fértil.

Deveria ser permitido legalmente criar pintassilgos Parva em ambiente domestico. Só com um controlo e registo de nascimentos seria possível garantir a diferença da origem e proveniência do pintassilgo mantido em ambiente domestico. Ainda existem muitas meias verdades sobre a facilidade ou dificuldade de reprodução do pintassilgo Prava em ambiente domestico. Para mim a principal diferença é o potencial de cada indivíduo a adaptação ao ambiente domestico. Nem todos os pintassilgos servem para a reprodução, isto devido ao seu carácter silvestre.


Já passaram alguns meses desde a altura em que eu iniciei esta crónica. A 5 de Janeiro de 2010 saiu a esperada Portaria que Regulamenta a detenção e criação de aves indígenas, vulgarmente conhecidas aves da fauna europeia. Nesta regulamentação foram esquecidos os pequenos criadores amadores com 1 ou 2 casais. As condições e taxas pedidas para cumprir a lei e a falta de informação objectiva afastam muitos destes processo. Os preços das aves importadas não esta ao alcance da maioria do povo. Enfim ter pintassilgos legais é só para quem pode ou pretende fazer comercio. Mesmo fazendo comercio ou seja quiser transaccionar legalmente aves, vai ter de informar anualmente o ICNB, para onde (morte ou fuga) ou para quem cedeu as aves. Claro que eu ao comprar um casal português legal o meu nome vai constar nos registos do ICNB. Isso implica que o ICNB vai saber quem compra as aves se esta registado ou não como criador. Agora fazendo contas compro um casal de pintassilgos ancestrais dou 300 euros, depois inscrevo-me como criador no ICNB 125 euros, mais registo o casal 50 euros, e todos os anos tenho de actualizar os registos (mortes, nascimentos, fugas e cedências) . Só para estar descansado desembolso 475 euros só para começar o meu plantel. Agora se contabilizarmos os trocos: cotas do clube, anilhas, comida, gaiola e acessórios, ficamos com uma ideia que não é para todas as carteiras. Infelizmente e mais uma vez a lei criou um fosso entre ricos e pobres, destinando a legalização para os ricos e a clandestinidade para os pobres. Aos arremediados cabe a difícil tarefa de optar se vale a pena ou se podem ser ricos.

Esta é a meia verdade que faltava, será que a Regulamentação publicada em 5 de Janeiro de 2010, vai contribuir para a protecção e conservação das aves da nossa fauna autóctona? No meu entender vai complicar a vida aos criadores desportivos, porque vai onerar a criação de variedades domesticas vulgo mutações, tornando as aves mais caras com taxas e burocracias. O medo das inspecções as papeladas e burocracias afastam os aficionados do regime de legalização, mesmo tendo aves mutadas diferentes das selvagens. Infelizmente nos clubes ornitológicos desportivos que eu conheço a informação sobre este assunto é escassa para não dizer nula. È pena pois já foi dado um passo de gigante com a publicação da Portaria, mas se calhar foi um passo demasiado largo para a realidade Portuguesa. A regulamentação tem de ser revista para incluir mais aficionados menos endinheirados, pois a grande maioria de detentores de pintassilgos são pessoas do Povo, geralmente aficionados pelo canto destas aves esses não fazem parte dos clubes ornitológicos, mas isto seria tema para outra crónica...

sábado, 27 de março de 2010

Gato por lebre!

Agora que já é possivel transaccionar legalmente pintassilgos, fui visitar com um colega um indivíduo que comprou com factura dois casais anilhados...

Na aquisição de passaros todos os cuidados são poucos. A aquisição ou troca de passaros deve ser feita com confiança e depois de verificar certos parametros.

1-Aspecto geral do passaro. A plumagem deve estar em boas condições e aderente ao corpo. Passaros com caudas esfarrapadas e falta de penas, são sinal de stress. Pois ao baterem-se nas gaiolas esfarrapam as pontas da cauda ou das asas.

2-Adquiri sempre passaros anilhados com anilhas de diametro regulamentar. Este ponto é importante pois algumas aves apresentam anilhas fechadas demasiado largas.


3-Por ultimo nem sempre o preço corresponde ao valor da ave.


4- O entusiasmo nem sempre é bom conselheiro, ver bem o passaro e as condições de alojamento e na duvida não se precipitar. Por vezes adiar é resolver.

Foram estes pequenos detalhes que eu vi e que me chamaram a atenção.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Estratégias em caso de doença.



Na passada terça-feira, observei que uma das fêmeas reprodutoras estava ligeiramente embolada e os seus dois juvenis da primeira ninhada também. Observei um por um, todos tinham o ventre de aparência normal, não avermelhado, nenhuma mancha preta. As fezes eram consistentes tipo mousse, com uma parte escura e outra parte branca correspondente a urina. Coincidência ou não na semana anterior tinha-os mudado para outras gaiola. Depois de terminarem a muda, também alterei o tipo de alimentação, reduzi as sementes oleaginosas (nabo, niger, canhamo, linhaça) aumentei a alpista e mantive a perilla. Para compensar esta alteração durante uma semana misturei na agua de bebida um complexo vitamina B. A temperatura de Outono tinha baixado e houve queda de chuva.

Confesso que tenho alguma dificuldade em acertar no diagnostico de algumas doenças das aves. Os sintomas iguais, penas arrepiadas, perda de peso, falta de apetite, cabeça escondida debaixo da asa, podem ter origens em doenças diferentes. Acertar com o medicamento para combater agentes diferentes que provocam os sintomas semelhantes é sorte. Nestes casos resolvo sempre tentar fazer qualquer coisa, pois também aprendo com os meus erros. Na loja de animais de estimação onde me abasteço, costumo trocar impressões com o dono sobre novos produtos de ornitologia que aparecem nas prateleiras. Na ultima visita falamos sobre o Seridone, segundo parece muito procurado por quem tem pintassilgos. Segundo me confidenciou, até levam a embalagem maior, pois fazem curas preventivas, para evitar o pior. Seridone é o nome comercial, como por vezes, o mesmo produto químico tem nomes comerciais diferentes, eu peço para ver a composição do principio activo e que doenças combate.



Um ou dois dias passaram e o estado de saúde da fêmea degrada-se, prostrada no poleiro com as penas muito arrepiadas. Os dois juvenis continuavam morrinhentos. Fui comprar o Seridone e comecei a dar a dose recomendada na bebida. Passados 2 dias os juvenis estão mais activos e vou seguir o tratamento durante 8 dias conforme recomendado. A fêmea reprodutora não responde a este tratamento, quase não se alimenta com as sementes cozidas misturadas com pão ralado e já esconde a cabeça de baixo da asa. Tenho de tomar outras medidas urgentes e mudar o tratamento aplicado a esta fêmea. Resolvi fazer uma câmara aquecida, que basicamente é uma caixa em madeira com a frente em vidro e em que a fonte de aquecimento, são duas lampadas incandescentes de 40 watt colocadas dentro. Para medir a temperatura no interior usei um termómetro que indica 22 ºC. Na câmara aquecida, alojei a fêmea numa gaiola pequena, um comedouro só com alpista, outro pequeno com mistura de pintassilgos, e um comedouro de lingueta com sementes cozidas e pão ralado. No bebedouro uma solução de 2g de ESB3 em 1 litro de agua, que vou renovar todos os dias durante 5 dias. Se notar melhoras reduzo para 1 grama de Esb 3.



Passadas 24 horas noto que esta mais activa e já não esconde a cabeça debaixo da asa. No chão vejo algumas cascas de sementes e pão ralado. Os primeiros sinais são de recuperação... A cura vai demorar e mais tarde, lentamente terei de baixar a temperatura até retirar o aquecimento, avaliando o comportamento da fêmea. Depois dos tratamentos acabarem com sucesso, forneço vitaminas do Complexo B com vitamina K durante uma semana. Após esta cura de vitaminas na semana seguinte dou agua simples. Se passado este periodo noto que a ave ainda esta debilitada, volto a dar mais uma semana de Complexo B. Este ciclo pode-se repetir até a ave estar totalmente recuperada, não existe o perigo de sobre dosagem de vitaminas do complexo B pois o excesso é eliminado pelo organismo da ave.

Conclusão:
O pintassilgo é uma ave muito frágil devido ao seu pequeno tamanho corporal. O seu organismo não resiste muito tempo sem agua nem comida. Para manter a temperatura corporal tem de ir buscar energia aos alimentos. Geralmente uma ave doente tem pouco apetite, para regular a temperatura corporal embola as penas, o peito fica afiado devido a perda de peso.
Em caso de suspeita de doença, temos de actuar rapidamente. Conseguir que a ave doente se alimente e não tenha de despender energia corporal para se aquecer são as primeiras medidas a serem tomadas.
Alimento – sementes cozidas. Misturo em partes iguais sementes de cânhamo, perilla e níger. Coloco um recipiente com agua ao lume, quando começa a levantar fervura deito as sementes a cozer durante 5 minutos. Apago o lume e deixo 30 minutos as sementes de molho para absorver agua e calor. Depois escorro-as num passador e retiro de agua para as secar misturo pão ralado em pequena quantidade. As sementes cozidas que sobram guardo no frigorífico no máximo até 3 dias, por isso não preparar grandes quantidades de cada vez. A fervura amolece as sementes e esteriliza-as, sendo a sua digestão mais fácil dos hidratos de carbono e dos lípidos.
Calor – ajudar a ave a manter a temperatura corporal sem despender energia. Por isso meter a ave num ambiente aquecido com temperaturas entre os 25 – 30 ºC. Usar uma gaiola enfermaria, uma câmara aquecida ou estufa.
Vitaminas Complexo B – é constituido por um conjunto de diferentes vitaminas B1, B2, B3, B6, B12, B15, converte os alimentos em fontes de energia, contribui para a formação de anti-corpos e hormonas. Como as Vitaminas do grupo B são hidro-solúveis quando absorvidas em excesso são
expelidas pela urina, não se acumulam no organismo.
As estratégias apresentadas nem sempre resultam com todas as aves, mas podem ajudar a salvar algumas. Afinal o papel de um criador de aves é cuidar do seu plantel, ter prazer em ver as suas aves sadias, alegres e com muita vivacidade. Toda a dedicação que lhes possamos dispensar elas retribuirão dando-nos muitas alegrias...

PS: Em conversa com um colega que tinha acabado de conhecer, falamos sobre a alimentação de pintassilgos com granulado. Confesso que sempre tive algumas reservas em deixar de fornecer sementes. A dificuldade é fazer a transição entre os dois tipos de alimento. As vantagens do granulado são evidentes, não temos cascas, a composição de elementos nutritivos é constante (controlo de fabrica), menos probabilidade de contaminação da comida (embalagens fechadas na fabrica), mais fácil digestão pois o granulado é processado industrialmente, se as fêmeas aceitarem bem até não é necessário dar papa, não existe a possibilidade da ave escolher só um tipo de semente. O preço é mais caro, mas as sementes também já foram mais baratas, a vantagem é que proporcionalmente comem menos porque o granulado sacia. Já comprei granulado e resolvi misturar um pouco com as sementes e quando me aperceber que ele diminui nos comedouros é sinal que as aves já o comem. Pelo menos foi o que se passou com os pintassilgos do meu interlocutor. O período de repouso é o mais favorável para proceder a alterações no regime alimentar é o que vou fazer...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Plantel para o ano 2010 e outros comentários





Recentemente adquiri a um amigo um casal de Pintassilgos da Sibéria na cor ancestral ou fenotipo selvagem. Fenotipo quer dizer aspecto visual, pois são aves criadas em ambiente domestico, muito mansas de tamanho muito maior que a subespécie parva.



Entretanto vou continuar com os casais de Carduelis parva de 2009 e fazer mais 2 casais novos com aves que fiquei da criação deste ano.















Um dos meus objectivos para 2010 é ter disponíveis algumas aves para ceder ou trocar com outros criadores. Tenho conhecimento que em Portugal já existem alguns criadores de Carduelis parva, só que produzem poucos exemplares por época. Também sei por relatos que me chegam que cada vez são mais os Portugueses que se deslocam as feiras de pássaros na Bélgica e que compram mutações de pintassilgo major. Todos estamos clandestinos face as leis actuais, coremos sérios riscos pois estamos equiparados aos traficantes de aves silvestres. É injusto pois as nossas aves nascem em ambiente domestico, são tratadas com toda a tenção e cuidados, pois queremos que elas se reproduzam e sejam felizes sem preocupações de fugir dos predadores ou encontrar locais com comida. Os meus pintassilgos estão habituados a viver em gaiolas se eu lhes abrir a porta eles mantém-se confinados ao espaço que estão habituados.
Contaram-me uma história de como andam a expor aves de mutações de fauna europeia e depois de avaliadas e pontuadas, são escondidas do publico. A situação é caricata e não sei como é que vão resolver a situação da entrada de aves da fauna europeia no Mundial de Matosinhos em 2010. Ouvi algumas vozes descontentes a dizer que se não houver legalização para os criadores Portugueses os estrangeiros que vierem cá expor aves no Mundial de 2010 podem ser vitimas de denuncia ao SEPNA. Isto tudo que eu relato é futurologia o mais certo é que não aconteça nada, espero eu..., para bem de todos e que não estraguem os esforços desenvolvidos até agora pela FONP, junto das autoridades do estado Português.
Faço votos que tudo se resolva a bem e sem ir contra ninguém a bem de todos incluindo os criadores de aves.