terça-feira, 11 de maio de 2010

Realidades complexas

Na reprodução de aves tipo indígenas, entre as quais se inclui o pintassilgo continua a haver a ideia que todas servem para criação. Tenho ouvido muitos comentários de desalento face ao fracasso na tentativa de criação de aves fauna europeia. Leio muitos comentários em fórum do preço exagerado pedido por este tipo de aves criadas em ambiente domestico.


A domesticação foi um processo que começou na pré-historia, quando o Homem abandonou a sua condição nómada de caçador e colector de plantas e frutos. Começa o sedentarismo com a adaptação das espécies vegetais selvagens a serem cultivadas. As plantas com melhor produção eram guardadas as sementes para serem usadas no ano seguinte para obter boas colheitas. Desta pratica nasceu a agricultura. Para o ajudar a cultivar as terras capturou e amansou o cavalo, o burro e cruzou estas duas espécies e obteve o jumento, que possuía o tamanho do cavalo e a resistência do burro. O Homem pré-histórico escolheu e seleccionou as características dos animais e plantas que mais lhe convinha e através da reprodução tentou reforçá-las. Este processo eliminava da reprodução todos os indivíduos animais ou plantas defeituosos (com carácter selvagem, pouco produtivos de frutos ou sementes). Hoje a domesticação conduziu-nos a varias raças de cavalos e variedades de milho, feijão. A domesticação de uma espécie demora tempo, persistência, descartar da linha de reprodução os indivíduos fracos para podermos apurar a raça ou a linhagem.


Na ornitofilia actualmente ainda existem aficionados que ainda estão na era dos caçadores e outros mais avançados que estão na era dos agricultores. Os caçadores que tentam ser agricultores, ainda não entenderam a diferença entre caçar e cultivar. Um agricultor procura obter boas sementes, pois sabe que o trabalho de arranjar a terra é igual tanto para semear sementes fracas como boas, a diferença vai estar na colheita.

O desenvolvimento da agricultura, na pré-história veio aumentar a oferta de produtos alimentares. No inicio toda a produção era para consumo próprio do agricultor o excedente era necessário escoar. Isto veio dar origem as trocas de produtos e mais tarde ao aparecimento do comercio. Ou seja indivíduos que não eram agricultores levavam os produtos para outras regiões onde estes não eram produzidos. Nesses locais os produtos eram transaccionados ou trocados por outros. Devido a variedade da oferta e da procura de cada produto, assim variava a sua cotação ou valor.


O aparecimento do comercio, introduziu mais uma actividade diferente da caça e da agricultura. A combinação entre estas três actividades provoca a formação de vários tipos de cenários. Em todos eles esta presente o factor preço e o factor valor. Saber avaliar estes factores em função da actividade ou actividades do vendedor e o saber do comprador, pode evitar muitas desilusões.


Conclusão antes de comprar ou adquirir um pintassilgo saiba avaliar e responder as seguintes questões:

1- A ave provem de um caçador, agricultor ou comerciante?
2- O preço corresponde ao valor?
3- Conheço as necessidades da ave que vou adquirir?
3.1- Na duvida quem me sabe orientar/esclarecer?

Algumas realidades, poderão ser mais complexas e múltiplas por exemplo estarmos na presença de um caçador + agricultor + comerciante... O meu lema é na duvida decidir mais tarde ou como já ouvi dizer... adiar é resolver...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Ideias e apontamentos.

A Primavera vai fresca, as temperaturas neste mês de Maio não tem ajudado a manter o cio dos casais reprodutores. Neste caso com'pensa-se com o aumento de alimentos quentes, como a gema de ovo cozida, misturadad na papa e sementes como o cânhamo, niger e girassol descascado.




Até chegar o mês de Agosto, não devemos perder a esperança de obter crias de pintassilgos Parva. O aumento das horas de luz também irá ajudar a que os casais fiquem predispostos a acasalar. Por isso é importante que o local onde estão alojados seja banhado por muita luz natural.








O macho do casal de Major picou um ovo, tive de o separar da fêmea. A incubação de 4 ovos continua sem problemas. Agora falta saber se estão galados e depois se as crias vão nascer.




Os dois verdilhões da 1ª postura continuam bem. Hoje já vi a mãe compalhas no bico...










quarta-feira, 5 de maio de 2010

Pulgões das roseiras


Os afídeos são conhecidos como pulgões das roseiras, sugam a seiva da planta. Os pintassilgos gostam destes insectos.

Novidades

Este ano já nasceram nos meus viveiros 2 crias de verdilhão (Carduelis chloris). Vamos ver se chegam a emancipação, já foram anilhadas, mas ainda é cedo para atirar os foguetes.

O casal de Major já fez ninho,a esperança cresce, mas ainda é cedo para mais fogo de artifício.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

PINTASSILGO MASCARA PRETA

O DENTE DE LEÃO






Dente-de-leão
Taraxacum dens leonis
Taraxacum officinale

O nome comum desta planta provem da forma do recorte das suas folhas ser parecida com os dentes do leão. Na designação latina o termo officinale significa que esta planta tem propriedades medicinais.

Na Primavera o Dente-de-Leão povoa os relvados, onde exibe as suas flores amarelas na ponta de hastes cilíndricas e mole. A raiz aprumada e comprida. fixa esta planta ao solo.

As folhas são ricas em vitamina A, C e Magnésio. O suco leitoso tem propriedades diurético, depurativo, tónicas combate a anemia, favorece o bom funcionamento do fígado.

Colher as folhas e os capítulos fechados com sementes verdes e pêlos brancos e fornecer a pintassilgos (Carduelis carduelis), verdilhões (Carduelis chloris), tentilhões (Fringila coelebs), e pintarroxos (Carduelis cannabina).

A recolha na Natureza do Dente-de-Leão requer alguns cuidados, pois em alguns locais podem ter sido contaminados por aspersão de produtos químicos ou fumo de escapes de automóveis. O ideal é cultivar a planta em vasos ou no quintal. Podemos semear ou então plantar alguns pés. Também se cortarmos uma raiz as rodelas e plantarmos esses bocados darão origem a novos pés.

MEIAS VERDADES

Em Junho no ano passado, tomei conhecimento que um colega meu também criou pintassilgos. Colocou um casal numa barrica de plástico, com uma janela em rede, que lhe permitia o acesso e entrada da luz e ar ao interior. O seu comentário comigo foi eu também crio pintassilgos. Fiquei contente porque para mim o importante é cultivar a criação domestica desta espécie e incentivar o desinteresse pelas capturas.


Apanhar ou arranjar um casal e eles criarem logo como os canários achei pouco vulgar. Não é impossível, mas na minha opinião é pouco provável. As razões para mim são óbvias. A fêmea tem de estar aclimatada. Tolerar a presença do criador, aceitar a alimentação comercial, (papa de ovo, bicho da farinha). Isto só se consegue com pássaros amansados ou nascidos em cativeiro e pelo que eu entendi não era o caso.


O tema criação de pintassilgos agora é moda. Já tinha esquecido o episódio relatado quando em conversa soube do resto da história. O dito casal de pintassilgos era composto por uma fêmea engaiolada a 4 anos e um macho recente. A minha duvida finalmente ficou esclarecida depois de descobrir o resto da meia verdade.



Não é segredo que ainda se continua a traficar pintassilgos e outras aves capturadas na feira que se realiza aos domingos de manhã num local da cidade do Porto. A cotação de um pintassilgo macho é de sete euros e meio. São baratos e muito frágeis, infelizmente... Concordam comigo? Se sim estão enganados. A minha afirmação é mais uma meia verdade. Para mim essas aves são caras porque estão debilitadas e para safar uma temos de comprar meia dúzia. Fazendo contas gastamos quarenta e cinco euros em 6 para ficar com 1. A compra de aves capturadas incentiva uma actividade que prejudica a imagem do aficionado criador de pintassilgos. Um pintassilgo criado em ambiente domestico tem outro potencial. Esta habituado a comida comercial, tolera a presença do Homem, cria com mais facilidade. O valor de um pintassilgo domestico não pode ser igual ao praticado nas feiras ou nos passarinheiros. O aspecto ancestral é igual em ambos. Pois, mas isto é outra meia verdade, o da feira é adquirido em bruto e o outro proveniente do criador já vem trabalhado.


Em Portugal ainda não esta establecida uma cultura centrada na criação domestica de pintassilgos parva. Antes de eu obter criação de pintassilgos Parva em ambiente domestico, já colegas o tinham conseguido e mais tarde abandonado. As razões são a proibição de deter este tipo de ave e ser possível arranjar aves de captura, e a criação de canários ser mais interessante. Pela vertente desportiva, não ser possível obter canários capturados iguais aos domésticos. Agora esse colega quis retomar a criação de pintassilgos de uma maneira económica. Trocou alguns dos seus canários por 6 pintassilgos apanhados. Lamentou-se que acabados de chegar começou a notar um embolado pegou nesse e deitou-o a vida e os outros para não os ver definhar fez o mesmo. O custo económico, ambiental, emocional desta pratica de tentar lapidar em bruto pintassilgos é muito elevado. Não é fácil manter um plantel domestico de pintassilgos Parva estável, pois é sempre necessário introduzir sangue novo de vez em quando. Procurar sempre adquirir aves devidamente anilhadas e de preferência a outros criadores. Este procedimento permite filtrar a introdução de indivíduos com factores negativos e regredir nos nossos objectivos de manter uma linhagem homogénea e fértil.

Deveria ser permitido legalmente criar pintassilgos Parva em ambiente domestico. Só com um controlo e registo de nascimentos seria possível garantir a diferença da origem e proveniência do pintassilgo mantido em ambiente domestico. Ainda existem muitas meias verdades sobre a facilidade ou dificuldade de reprodução do pintassilgo Prava em ambiente domestico. Para mim a principal diferença é o potencial de cada indivíduo a adaptação ao ambiente domestico. Nem todos os pintassilgos servem para a reprodução, isto devido ao seu carácter silvestre.


Já passaram alguns meses desde a altura em que eu iniciei esta crónica. A 5 de Janeiro de 2010 saiu a esperada Portaria que Regulamenta a detenção e criação de aves indígenas, vulgarmente conhecidas aves da fauna europeia. Nesta regulamentação foram esquecidos os pequenos criadores amadores com 1 ou 2 casais. As condições e taxas pedidas para cumprir a lei e a falta de informação objectiva afastam muitos destes processo. Os preços das aves importadas não esta ao alcance da maioria do povo. Enfim ter pintassilgos legais é só para quem pode ou pretende fazer comercio. Mesmo fazendo comercio ou seja quiser transaccionar legalmente aves, vai ter de informar anualmente o ICNB, para onde (morte ou fuga) ou para quem cedeu as aves. Claro que eu ao comprar um casal português legal o meu nome vai constar nos registos do ICNB. Isso implica que o ICNB vai saber quem compra as aves se esta registado ou não como criador. Agora fazendo contas compro um casal de pintassilgos ancestrais dou 300 euros, depois inscrevo-me como criador no ICNB 125 euros, mais registo o casal 50 euros, e todos os anos tenho de actualizar os registos (mortes, nascimentos, fugas e cedências) . Só para estar descansado desembolso 475 euros só para começar o meu plantel. Agora se contabilizarmos os trocos: cotas do clube, anilhas, comida, gaiola e acessórios, ficamos com uma ideia que não é para todas as carteiras. Infelizmente e mais uma vez a lei criou um fosso entre ricos e pobres, destinando a legalização para os ricos e a clandestinidade para os pobres. Aos arremediados cabe a difícil tarefa de optar se vale a pena ou se podem ser ricos.

Esta é a meia verdade que faltava, será que a Regulamentação publicada em 5 de Janeiro de 2010, vai contribuir para a protecção e conservação das aves da nossa fauna autóctona? No meu entender vai complicar a vida aos criadores desportivos, porque vai onerar a criação de variedades domesticas vulgo mutações, tornando as aves mais caras com taxas e burocracias. O medo das inspecções as papeladas e burocracias afastam os aficionados do regime de legalização, mesmo tendo aves mutadas diferentes das selvagens. Infelizmente nos clubes ornitológicos desportivos que eu conheço a informação sobre este assunto é escassa para não dizer nula. È pena pois já foi dado um passo de gigante com a publicação da Portaria, mas se calhar foi um passo demasiado largo para a realidade Portuguesa. A regulamentação tem de ser revista para incluir mais aficionados menos endinheirados, pois a grande maioria de detentores de pintassilgos são pessoas do Povo, geralmente aficionados pelo canto destas aves esses não fazem parte dos clubes ornitológicos, mas isto seria tema para outra crónica...