sexta-feira, 16 de julho de 2010

Desparazitação, palitada sim ou não? - A emancipação dos filhotes



Nos blogues nem sempre se relatam os fracassos, pois nesta sociedade de consumo só interessa o sucesso. Por uma questão de imagem muito fica por relatar, mas a vida como diz o povo nem sempre é um mar de rosas.

A minha expectativa no inicio da época 2010 era saber como se comportaria o casal de Major. No balanço final da primeira postura foi de de 5 ovos, na postura de 3º ovo este apareceu picado, separei o macho com divisória em rede e não houve mais novidade completada a postura. A incubação decorreu sem problemas e nasceu uma cria os restantes ovos estavam chocos. O facto dos embriões não se terem desenvolvido, leva-me a suspeitar que os progenitores podem ser portadores de algum micróbio. Já la vão alguns anos, lembro-me que um casal de verdilhões, no final da incubação de 5 ovos todos os embriões estavam mortos dentro do ovo. Não estive com meias medidas e fiz um tratamento com FP 20/20, na 2º postura 4 ovos claros, mas na 3ª postura 4 crias saudáveis. Muito se tem discutido sobre a eficácia dos tratamentos preventivos ou desparasitações antes das criações. Pessoalmente tinha umas certas reservas, hoje já me interrogo se quem faz as curas antes da época de criações é que não tem a razão.

Voltando a minha história. Nos primeiros 2 dias a mãe Major pouco alimentava a cria pois quando eu fazia o controlo o papo estava vazio. Passados 4 dias a meio da manhã a fêmea estava fora do ninho com a cabeça molhada e o macho com muito cio. Fui ver o ninho e encontrei a cria fria, aqueci-a na palma da mão e resolvi coloca-la de baixo de uma canária que chocava os seus ovos. Confesso que não tenho experiência nem dou palitada e por precipitação perdi a cria com 4 dias. Analisando melhor a situação deveria ter esperado que a canária tivesse embicado a cria de pintassilgo e ter praticado a palitada com as crias dos canários. Assim estaria mais preparado para esta situação. Agora entendo porque é que alguns criadores de sucesso dão palitada e usam madrastas.

Actualmente (Junho de 2010) tenho uma fêmea pintassilgo Parva no choco com 5 ovos. No ano passado 2009 esta pôs 4 ovos tirou 2 pintassilgos machos sem truques. Nada de tratamentos, nada de palitada. Na segunda postura 4 ovos 2 embriões mortos na casca. Na altura comentei com um especialista da nossa praça e ele levou o caso para a falta de humidade no período de choco. Eu fui na conversa pois o local é quente, o que hoje penso é o seguinte. A medida que se prolonga no tempo a criação de pássaros no mesmo local, a carga de micro-organismos patológicos vai aumentando. Não é por acaso que nas criações intensivas de galinhas quando chega ao fim o ciclo de produção os aviários são lavados e desinfectados e ficam inactivos durante um certo tempo. Só depois é que recomeça o ciclo com a chegada de novos frangos a um local pouco contaminado. Devido a esta circunstancia e não havendo um período de inactividade do local de criação é inevitável recorrer periodicamente aos chamados tratamentos de desparazitação para controlar os níveis de contaminação do organismo da ave.

A época de criação ainda não terminou, até Agosto ainda tenho algum caminho a percorrer, espero no final ter um balanço menos negativo...

Já passaram 4 anos desde que iniciei a criação de verdilhões ancestrais e pintassilgos parva no meu aviário, sem truques. Olhando a minha volta e conhecendo eu quase todas as técnicas e truques, porque é que não as aplico? Talvez por um certo romantismo e puro amadorismo da minha parte ou será que não valeria a pena ter mais trabalho (palitada) mais despesa (sustentar madrastas). Se calhar no fim das criações teria outro balanço a apresentar, ou talvez não!...

Para crescer não devemos ter medo de errar, pois as quedas são uma etapa para se aprender a andar.

Algumas semanas já passaram desde que iniciei a escrita desta prosa. Os 5 ovos de pintassilgo deram origem a 5 crias, hoje já estão separadas dos progenitores e aparentemente saudáveis. A ultima cria desta ninhada nasceu mais fraca e durante 2 dias coloquei-a de baixo da fêmea de major, mas constatei que ela não a alimentava convenientemente e tive de recorrer a palitada. Dei cerca de 4 palitadas diárias durante 3 dias e depois juntei-a de novo aos irmãos. Entretanto e antes de decorridos 30 dias a mãe começou uma nova postura e os filhotes ainda não comiam sozinhos, pois piavam muito com fome. O pai pintassilgo só depois de as crias reclamarem é que la se resolvia dar alguma comida. Tive de separar os filhotes da mãe pois como a gaiola era pequena eles tinham por habito estarem empoleirados na borda do ninho e com a postura a decorrer eu não queria perder os ovos. Coloquei um separador em rede pois a gaiola é dupla de um lado a pintassilga a chocar e do outro o macho com os 5 filhotes. Neste período crítico de emancipação e independência alimentar as crias perdem peso a olhos vistos, o osso do esterno começava a ficar muito afiado. Comecei a ficar preocupado pois não havia meios de ver as cria a comer sozinhas antes dos 30 dias de idade. Bom resolvi intervir mais uma vez e retomei a palitada 3 vezes ao dia. Lentamente observei que começavam a debicar a papa e a descascar o germinado. Por volta dos 40 dias separei-os e alojei-os numa gaiola maior depois de ver que todos se alimentavam sozinhos e que deixei de ouvir o seu piar de mendigar comida.


A fêmea pintassilga voltou ao choco na segunda postura de 5 ovos e hoje 14 de Julho de 2010 nasceram já mais 2 crias faltam eclodir 3 ovos, mas os 14 dias só se completam amanhã. Criar pintassilgos Parva é uma aventura e um desafio aliciante na pratica da reprodução de pássaros em ambiente domestico.