terça-feira, 13 de julho de 2010

Raças de Pintassilgos vs mistura de subespécies

A conservação das espécies nem sempre é entendida por quem procura obter novas raças. Quando o Homem domestica uma determinada espécie, procura introduzir novas características diferentes da sua forma selvagem. Ao seguir este caminho a espécie em questão perde ou adquire por exemplo novas cores, outro tamanho e até pode mudar de forma. O que para uns é uma melhoria civilizacional da espécie, para outros é uma desvirtuação da sua forma selvagem.

O trabalho de selecção realizado pelos criadores de canários é um exemplo da quantidades de raças de canários que existem actualmente todas derivadas do canário verde selvagem. Na Europa o pintassilgo criado em ambiente domestico, também começa a dar origem a novas raças de cores diferentes da selvagem. Os sujeitos obtidos são de tamanho variado pois não se tem respeitado o tamanho característico das diferentes subespécies. Quando cruzamos um indivíduo grande com um pequeno qual o tamanho das crias que vamos obter? Não é por acaso que a C.O.M Confederação Ornitológica Mundial vai publicar um estalão ou standard diferente para cada subespécie de pintassilgo. Para os mais atentos a cor e o tamanho dos pintassilgos variam conforme nos deslocarmos geograficamente de Norte para Sul. Os pintassilgos do Norte são mais corpulentos e as cores mais claras o castanho não é tão escuro e o branco é mais puro. A medida que nos deslocamos para Sul o tamanho das diferentes subespécies diminui e o branco fica mais contaminado ou sujo, o castanho tende a ficar cor de chocolate.

Os Italianos e os Espanhóis, já se aperceberam destas diferenças entre subespécies de pintassilgo. Em Itália distinguem duas subespécies, os pintassilgos pequenos ou Tsuchi e os pintassilgos Major que são maiores em tamanho. Na Espanha os pintassilgos pequenos são os Parva e os de tamanho maior são os Major. Os Italianos e Espanhóis ao manter estas diferenças de tamanho estão a valorizar as subespécies autóctones criando novas cores diferentes das selvagens, mas mantendo o porte e tamanho da subespécie autóctone dos respectivos países.

Na França, Bélgica, Holanda penso que os criadores desportivos ainda não fazem estas distinções pois o pintassilgo apresentado nas exposições ornitológicas tem um tamanho intermédio é maior que o Parva e o Tsuchi, mas mais pequeno que o Major. Talvez o tamanho intermédio obtido se aproxime da espécie da Europa Central Carduelis carduelis carduelis que é mais pequena que o Major mas maior que o Parva e Tsuchi.

Actualmente em Portugal, pelo que eu conheço, alguns criadores importaram mutações de pintassilgo major e estão a cruzar com pintassilgos Parva para obter novas cores e diversificar o património genético dos Major e introduzir novas cores nos Parva. A médio prazo dentro de talvez 5 anos começarão a surgir Parvas portugueses mutados. O trabalho destes criadores de pintassilgo de novas cores, vai no futuro criar novas raças domesticas de pintassilgo. Aves mais mansas e com aptidão para criar em espaços reduzidos. Como nos canários de cor os critérios de selecção variam conforme o país, não é por acaso que em certas cores de canários se fala de linha italiana, holandesa, belga no futuro irá acontecer o mesmo com os pintassilgos de cor. Sim pintassilgos de cor pois o critério de selecção foi a cor, porque também os pintassilgos são apreciados pelo seu canto. Na Espanha e nos países do Norte de África como a Argélia, Tunísia e Marrocos a captura alimenta a aficcion da criação de híbridos canária x pintassilgo macho. Os concursos de canto de pintassilgo são muito apreciados, mas isso é outro capítulo da história do pintassilgo.

3 comentários:

Armindo Tavares disse...

Olá, não sendo criador de fauna europeia, sou um seguidor de alguns criadores e, porque não apreciador de pintassilgos. Quero por isso felicitá-lo pela análise descrita no seu artigo. Muito boa mesmo!

Anónimo disse...

Não é necessário 5 anos para introduzir aos Parvas portugueses as cores que desejamos, eu já os tenho desde o ano passado e só agora começo a colher os frutos, para o ano espero ter pintassilgos parvas amarelados..
Cumprimentos

Alessandro Marcello disse...

Sr Matos, desculpe mas não concordo consigo. Ao misturara 2 subespécies entre si esta a misturar também outras caracteristicas presentes nos genes que comandam o tamanho, o canto ou seja esta a obter aves hibridas de Parva e Major pois do cruzamento vai obter aves com genes multifactoriais. Não duvido que consiga passar as cores (mutações - gene monofactorial) a descendencia, mas com certeza vai obter aves (com com um tamanho não conforme o pequeno tamanho dos Parva (poligenes).
Para conseguir uma linhagem estavel de aves Parva, ainda vai ter de percorrer um longo percurso em que terá de eliminar da sua linhagem Parva aves com um tamanho superior (por exemplo).
Bom parece que já falei de mais, se fosse assim tão simples obter uma raça pura so com um cruzamento, os canarios Arlequins seriam muito mais faceis de criar, que o diga o Sr Armindo Tavares.
Bom espero que o Sr Matos não leve a mal eu o ter contrariado, mas é isso que eu teoricamente penso.
Outra questão é que desportivamente pela C.O.M nas exposições ainda não esta defenido o que é um pintassilgo Parva e um Major. Mas não me quero alongar mais porque não gosto de alimentar polémicas... Dou por encerrado o assunto via net.
Cumpts,
AM