sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Fora do Ninho

Já passaram 15 dias desde que os jovens pintassilgos saltaram fora do ninho. Com cerca de 29 dias de idade é ouvi-los a piar mendigando comida a mãe. O pai assiste e não colabora na alimentação dos seus filhos. Ainda falta algum tempo para estas aves juvenis mudarem a pena e adquirirem a mascara vermelha característica desta espécie.



No meu quintal plantei girassol, agora corto as flores que contém sementes verdes e ofereço as pintassilgos e verdilhões. É um regalo ver como debicam, arrancam e descascam comendo as sementes. Continuo a oferecer folhas de dente-de-leão, um comedouro só com sementes de perilla, outro só com sementes de chia, um comedouro com papa Cê-Dê misturada com sementes germinadas. Agora raramente forneço bicho da farinha. Agua fresca todos os dias.

O pai pintassilgo tem uns canudos brancos a volta do bico, sinal que esta a mudar a plumagem. A mãe pintassilga apresenta um aspecto cansado, pois esta ultima ninhada surgiu numa altura inadequada. Agosto é época de muda e ultimas crias fora do ninho. Para compensar todo este esforço (inicio da muda e embicamento das crias) vou adicionar a agua de beber vitaminas do complexo B, conforme indicação do folheto que acompanha este produto.

Esta época de criação de pintassilgos não foi brilhante. Pelo menos este ano consegui que um casal de pintassilgos criasse em uma gaiola tripla. Outro casal alojado numa gaiola grande com divisória fez ninho, colocou ovos, chocou, mas infelizmente os ovos apareciam picados.

As criações este ano terminaram, a época da muda da pena já começou. O Outono vem a caminho...

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Ainda no ninho!

No dia 1 de Agosto de 2008, contra todas as minhas previsões nasceram 3 passarinhos. Entretanto, passados 2 dias apareceu um fora do ninho. Reparei que a fêmea não deixava o macho se aproximar do ninho. Sendo de tamanho minúsculo ao nascer, se a mãe sair do ninho de repente, eles são arrastados para fora. Infelizmente eu não separei logo o macho e apareceu um morto no chão da gaiola.

ninho

Nos primeiros dias andei preocupado, pois a fêmea parecia não alimentar convenientemente as crias. Para agravar a situação como não substitui os ovos durante a postura e deixei a Natureza seguir o seu curso, os nascimentos ocorreram intercalados. Por isso os que nascem primeiro tem vantagem em relação aos últimos quando pedem comida a mãe. Foi o que aconteceu temi pela vida do mais fraco.

Como não via o mais novo com alimento no papo resolvi recorrer a uma canária que estava no choco e os ovos estavam claros. A ideia foi boa, mas a canária também não o alimentava. Pelo menos não ia morrer de frio. Bem,... resolvi intervir, pois se não actuasse ele morreria com toda a certeza. Fui comprar papa para alimentar a mão. Na loja pedi uma que não fosse cara. Trouxe a Baby Papex, já trazia seringa. La fiz a papa muito liquida, pois o importante era hidratar a cria só com 2 dias. Numa sebenta apontei "as horas da mamada", la andei eu de hora em hora a embicar o animal. Entretanto andei a procura de informação e descobri que seria muito difícil criar a avezinha pois era muito bebé. Se já tivesse pelo menos 6 dias seria muito fácil. Bom... reavaliei a situação no dia seguinte, pelo menos desde o nascimento íamos entrar no quarto dia. As esperanças eram poucas.

no ninho 2008

Na cria que tinha ficado com a mãe, verifiquei que esta a pouco e pouco ia alimentando melhor o irmão. Coloquei umas folhas de dente de leão (Taraxacum officinalis), e sementes de serralha (Sonchus oleraceus) que apanhei no meu quintal e era isso que eu via no papo. No inicio e para minha frustração não via consumo de papa de ovo nem bicho da farinha. Na agua de beber acrescentei algumas gotas de vitaminas do complexo B. As esperanças continuavam poucas.

O tempo passava, e comecei a ver que a mãe embora não enchesse o papo a cria, continuava a alimenta-la regularmente. Outro sinal positivo era que eu ouvia a cria a piar. Tomei uma decisão como não posso continuar a alimentar a cria que estava sob a canária vou devolvê-la a mãe. Entretanto comecei a ver a mãe comer papa de ovo com germinado para canários da Versele-Laga. Para reforçar resolvi demolhar sementes de cânhamo e misturar na papa acrescentando bicho da farinha congelado. Reparei que não apareciam restos do bicho da farinha no chão da gaiola, mais um sinal positivo. Comecei a constatar que o mais velho já tinha os olhos abertos e um pouco de papa amarela no papo.


Anilhei hoje com anilha 2,5 mm o mais velho, com cerca de uma semana foi difícil . O irmão vai bem e hoje vi a fêmea a comer bicho da farinha. A esperança renova-se a cada dia que passa. Ainda é cedo para ilusões, vou estar ausente durante cerca de 15 dias. Já dei as minhas indicações para o manejo destas crias. Agua limpa, "mistura light" de sementes para canários, um comedouro com mistura para Carduelis e Spinus, um só com perilla, outro com chia. Papa com germinado e bicho da farinha congelado.

Vamos ver como se comportam a fêmea e as crias até ao meu regresso... quero ter esperança...

sábado, 5 de julho de 2008

Semente de Chia

Proveniente da América do Sul e América Central, a Chia é usada na alimentação humana durante séculos.

sementes de chia

Na Primavera de 2007 deitei algumas sementes de Salvia hispanica a terra. Mais tarde nasceram algumas plantas que deram flor e algumas sementes em Setembro do ano passado.

salvia hispanica

Rica em proteínas, com uma percentagem de cerca de 20%. Fonte de ómega 3 e 6, este tipo de gordura reforça o sistema imunológico, e tem outros efeitos benéficos para a saúde como por exemplo efeito anti-depressivo.

Utilização, na alimentação dos Carduleis, é muito apreciada pelas aves. No período de criação e muda entre Março e fins de Setembro deve ser dada todos os dias uma colher de chá por ave. Durante o período de repouso deve ser dada duas vezes por semana, num comedouro a parte, uma colher de chá por ave.

ornitalia chia

terça-feira, 17 de junho de 2008

Verdilhões (Carduelis chloris)

Os verdilhões (Carduelis chloris) já tem jovens fora do ninho. Hoje nasceram mais 3 crias de verdilhão de outro casal.


verdilhoes 2008


verdilhoes_v3


VERDILHOA NO CHOCO

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Expectativas


Por esta altura do ano já alguns criadores portugueses já tem pintassilgos novos. Esta semana nasceram 4 verdilhões (Carduelis chloris). Nos meus viveiros os verdilhões são sempre os primeiros. Uma jovem fêmea de pintassilgo (Carduelis carduelis) passeia palha no bico, e o casal de lugres (Carduelis spinus) trocam comida nos bicos, vamos aguardar pela concertização destas promessas.

domingo, 6 de abril de 2008

Um Tema Um Desafio

Os livros, livrarias e bibliotecas sempre foram, para mim, uma boa companhia. Gosto de fazer descobertas nestes ambientes de leitura. Recentemente tive oportunidade de contactar com revistas antigas Ornitocultura e Zoocultura publicadas pelo Sr. David Gomes. Penso que não haverá nenhum problema em transcrever um artigo, mas de uma actualidade arrepiante, sobre pintassilgos.


Todos os anos, a partir de Junho - Julho tenho lido alguns artigos cujos autores, muito justamente se alarmam, com a caça (leia-se «destruição») de que é vítima o Pintassilgo. Num breve parêntesis presto aqui a minha homenagem a «ORNITOCULTURA» por, em anos transactos ter dado guarida a opiniões de quem sabe, vê e sente o problema.

Infelizmente, constato que os gritos de a1arme de ecologistas,ornitólogos e amadores conscientes não são suficientes para a modificação deste estado de coisas: Os caçadores predadores que já quase dizimaram os pintassilgos no Norte vão, agora; na mira do lucro ou movidos por simples instinto de destruição a caminho do Sul pois, ao que parece no Ribatejo, Alentejo e Algarve «ainda vale a pena».

E quando acabar o Pintasilgo teremos (ou já temos?) o D. Fafe, o Pintarrocho e até o recem chegado Bico de Lacre, pobre turista, recebido a «golpes» de rede e «depenado» de pronto, não vá ele habituar-se às doçuras do clima e aos nossos brandos costumes.

O problema tem sido enunciado muitas vezes, poucas equacionado e nunca resolvido. Qual será então a solução? Promulga-se uma lei, que proiba isto e aquilo que não está bem? Talvez ajudasse, mas quem faz cumprir a lei? Na França, Alemanha ou Inglaterra há leis que regulam estas situações mas, nesses países as leis cumprem-se; aqui em Portugal... é o que se sabe. Claro que a minha intenção não é propor uma solução definitiva até Porque não a tenho mas isso não nos impede de, por um raciocínio linear ,.'concruir ,fJue ao passa;rínho caçado é atribuído um valor real bem pequenino (o da panela) e um valor venal às vezes nada pequeno ( o da venda ao amador de aves). É claro que o passarinho em liberdade tem um valor «natural», ecológico bem maior.

Chegados aqui sinto-me interrompido por um dos meus leitores: «Pois claro! Nós, os amadores é que temos as costas largas, olha se não havíamos de ser os culpados!.. Ele há cada moralista!...»

Não, amigos,sou um amador que me dedico às aves há uns bons trinta anos, com alguns gastos, nenhuns lucros mas com um entusiasmo cada vez maior. E eu, amador, me confesso que também pequei muitas vezes...

Há vinte ou trinta anos éramos poucos os amadores muitos os Pintassilgos, o pecado era pequeno. Com qualquer moeda de prata se comprava o «chibéuzito» (bons tempos esses em que circulavam moedas de prata !...) quando não era o amigo que oferecia um dos apanhados no quintal. Hoje as coisas já não são assim: os aficciona,dos são muitos e os Pintassilgos poucos.

Resumindo: O caminho do futuro s6 pode ser um; criar em cativeiro Pintassilgos, D. Fafes, Verdelhões, etc.

«O tipo é poeta!» - dirá o meu leitor de há pouco. Não, amigo,apenas professor o que, vamos lá, em termos de proventos se não é bem a mesma coisa serão, pelo menos actividades afins. Pois é, acredito ser este o desafio que o amador deve aceitar e até vou mais longe, que terá mesmo de aceitar mais tarde ou mais cedo.

O meu leitor é que não desarma e volta à carga: «Que é isso, ó parceiro? Você quer vender qualquer coisa à gente ou então está taradinho!... Vamos então engaiolar os Pintassilgos e criá-los em casa, para acabar mais depressa com eles? Você garante: que eles criam?»

Claro que não garanto coisa nenhuma mas lá que tenho os meus argumentos, tenho. Além do vício dos pássaros tenho o dos livros e, mais do que comprá-los, gosto de os ler. Não só livros que tratem de pássaros, evidentemente, esses são os dos tempos livres. E assim, aproveitei um dos meus primeiros dias de férias da Páscoa para uma das minhas habituais rondas pelas livrarias do centro do Porto. As novidades em termos de literatura ornitológica são raras mas os preços, amigos, aquilo que há anos se comprava a preço de «chibéu» custa-nos hoje quase tanto como um «galador»! Mas, desta vez, a novidade lá estava: um livro cujo autor dá pelo.nome de Richard Mark Martin, publicado inicialmente em inglês em 1980 - 81, traduzido para o francês e publicado em fins de 82 com o título «Oiseaux de Cage et de Voliéde», Ed. Bordas, impresso na Bélgica.

O livrinho não explica a técnica mas dá a notícia: O Pintassilgo, o Verdelhão, o Pintarroxo, o D. Fafe e outros são criados em cativeiro, regularmente e há vários anos em Inglaterra. E lá vem também referida a obtenção frequente de híbridos tais como: PintassilgoxD. Fafe, (ao que parece um dos mais apreciados pelos ingleses), CanárioxD.Fafe e Pintarrocho x D. Fafe. Mas a grande novidade foi, para mim uma que diz respeito ao Verdelhão: Os Ingleses já conseguiram mutações de Verdelhões Albinos e Lutinos.

Veja, leitor amigo, como sempre, partimos atrasados. Nós, os Portugueses somos assim: na única vez que nos adiantamos descobrimos o Mundo e parece que, desde então, só descobrimos que não precisávamos de descobrir mais nada.

Há meses li em «Ornitocultura» um artigo que muito apreciei e em que um colega amador (se ele, por caso, me ler digo-lhe que me sentirei muito honrado se permitir que o trate por colega) descrevia como conseguiu criar Diamantes de Gould. Como eu gostaria de ler um trabalho intitulado «Como consegui criar Pintassilgos ou D. Fafes em cativeiro»!

Mas aquele cidadão que me vem interrompendo, está na dele: «Ouça cá, patrãozinho, que me interessa a mim estar a perder tempo e feitio a criar «chibéus» se a Rua da Madeira me fica mesmo à mão? T'á c'os copos ou quê?»

Dedicado a este amigo português até à medula dos ossos, lusitano da mais pura água, do género que eu mais aprecio por ser homem com os pés bem assentes na terra, daqueles que não correm atrás de quimeras, informo de mais outra que vem no tal livrinho que me custou os olhos da cara. Diz respeito ao (Pintassilgo) e reza assim: Na Grã-Bretanha ele (o Pi!ntassilgo), está domesticado. O macho «,Don Juan» dos pássaros tem tendênci,a a seduzir as fêmeas de todas as espécies que se encontram na passareira».

E agora é a minha vez de perguntar, muito terra a terra, ao meu leitor refilão: «Diga lá, ó chefe, quanto é que você daria por um «galadorzinho» destes?»

É que, além do valor real e valor venal já ouvi falar (parece que a uns senhores políticos que vão muitas vezes à Televisão) em «valor acrescentado». Terá alguma coisa a ver com isto? Se imaginarmos a expressão despida do seu significado técnico que lhe esteja por ventura associado e a tomarmos assim, purinha, tal como o povo a pariu, acho que é isso mesmo. Quero dizer cá na. minha que o tra,balho do verdadeiro ama,dor deve ter por fim, não destruir, mas valorizar aquilo que temos.

Senhora da Hora, 24 de Março de 1983.



Foi publicado em 1983 na Ornitocultura como não tenho a capa desconheço o numero. Na pagina 1 rubrica "Um Tema Um Desafio", o autor é o Dr Manuel Duarte.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Preparação época de 2008

Os dias de sol estão a crescer, a temperatura a aumentar, algumas plantas selvagem anuais começam a despontar.

Durante o Inverno forneço sempre dois tipos de papa que coloco sempre a disposição em pequenas quantidades. Uma húmida e de granulometria fina (Orlux Gold patee amarela) e uma papa seca a CêDê Eggfood Premium. As razões para este procedimento, são essencialmente habituar os pássaros a reconhecer a papa quando pontualmente faltam as sementes.

Já iniciei a preparação da nova época de criação que se aproxima. Forneço caules com sementes verdes de (Poa Annua), (Stellaria media), caules de urtigas, caules com sementes verdes e flores de (Sonchus oleraceus), dente de leão (Taraxacum officinale) folhas, flores e sementes verdes. Na Natureza a disponibilidade de alimentos começa a aumentar. Por isso altero ligeiramente o teor de proteínas e vitaminas na dieta dos meus pássaros. Como?...

A papa seca adiciono sementes germinadas e junto bicho trela ou da farinha (Tenebrio molitor) previamente cozido e congelado por mim.


Os ingredientes um a um...

CêDê Eggfood


sementes germinadas


Tenebrio molitor


O aspecto final é este como podem ver.

aspecto final da papa

Bom apetite...

bom apetite